8 de junho de 2018

Que fique em segredo




Só te peço, um pouco de sinceridade.

Na verdade, quero que minta e omita.
Desejo arduamente que me hipnotize com seus versos desonestos.
Prefiro a falsidade bem contada. Há quem me apedreje por isso?
Não quero que seja profunda; seja rasa, bem rasa.
Pareça, o quanto puder, ignorante, e disfarce seus contornos singelos.
Invente uma nova mitologia, se assim for preciso. Crerei em seu novo deus.
Serei devoto aos teus verbos de falcatrua.

Contudo, como bom ouvinte, aceito que assim não queira prosseguir.
Então, cale.
Somente cale.
Afogue seus discursos em outras orelhas.
Silencie.
Sofra.

Mas não me fale o que não quero ouvir.

5 de junho de 2018

A falta de um título




a causa do desejo
é o que sou
porém não vejo
é o que ou
sendo o oposto
posto que não sei
o nome: só o rosto

2 de junho de 2018

O Verbal II




quem para si, vive
é controlado
por se achar
se achando livre

mera ilusão
essa liberdade
pássaros voam
determinados
controlados
homens, ainda mais

30 de maio de 2018

Privação e adaptações



Criar
uma frase
tão boa
que vai ser
quase:

"perfeito o incompleto
a melhor água
se encontra no deserto"

29 de maio de 2018

bancú



que o revolucionário
sente e espere:

o banco não mudará
(sentou
em nosso conforto)

28 de maio de 2018

religião velha




na lata de cerveja
o deus que não
se encontra na igreja

Respostas Emocionais



desaforo
pouco
choveu
para as formigas
um alagamento
para as plantas
um lamento;

desaforo
quem chove
    sou eu