Acreditar em utopias preserva o mundo do caos. Desejar aquilo que sabemos improvável, não é aumentar a proporção da queda. Ao contrário, é crer que somente aceitando a profunda escuridão é que saberemos soluções para ela. Acredito em utopias. Sempre acreditei. Em deuses e figuras de linguagem, quase nunca. Em Utopias sim. Não há nisso ato ilusório. Há rigor. Aliás, o que foi que fizeram com os escritores de Utopia? Vejo que só há espaço para Distopia. Uma lástima que os seres do mundo se prendam a satirizar aquilo que é desejo e alternativa. Os distópicos, no fundo, satirizam suas próprias descrenças e pessimismos. Crer em Utopia não faz de ninguém um sonhador ou mesmo um religioso, ou ainda, um otimista. Não. A Utopia é a margem do Pragmatismo.
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29 de novembro de 2019
28 de novembro de 2019
Gaia Gandaia
I-
Ao passo que, alguns, desesperados pela constância de suas crenças, iniciaram um movimento de luta contra as ideologias. Foi mais ou menos assim que começou o caos, se me recordo. Disseram que a História era ideologia, que os livros eram ideologia, que a poesia era ideologia (essa, concordo), que direitos humanos eram ideologias, foi por aí. Foi, não? E faziam isso tudo com o que? De que forma bradavam a morte dos ideais? Qual a cruz usada nessa cruzada? Com o que quiseram apagar os valores sociais e o espírito crítico?
Preciso mesmo responder que era com a mais ferrenha e estúpida... ideologia?
II-
Detenha-se. Quando chega ao ponto de negar a existência do racismo, de negar a poeira de desigualdade social no ar, de dizer que não existe preconceito, que não existe pobreza e fome, que indígena não quer terra para morar, que direitos sociais são problemas; quando chega a esse ponto; por favor, detenha-se.
Não faça papel de palhaço. Por favor. Negue dados com dados. Não entre em desespero argumentativo. Em que mundo você tem vivido caro leitor? Quem foi que te disse que sonhar com uma utopia, ou com um mundo menos injusto, é coisa de esquerda? Adivinhe só. Causas sociais e equidade são princípios básicos de cidadania. No mais, detenha-se. Ainda que eu saiba, infelizmente, que você tem suas razões para agir assim. Todos temos. Mas, detenha-se, no conforto de seu casulo mundano.
III-
Sei que palavra não faz efeito em tábua.
2 de setembro de 2019
Analysis of himself
Nada pessoal, conheço bem suas motivações, pois as minhas já foram parecidas. Hoje, desdenho do meu ontem, por saber da pouca relevância de causas absolutas que estrangulam as margens da interpretação e da análise. Ao fim, és pura decadência disfarçada de singelo abraço. Mas lhe dou voz. Não permito que te calem, pois nesse campo me firmo em Voltaire, e não dou voltas em sua defesa. Pelo contrário! Minha discordância é que te sustenta no discurso. Mas, não é nada pessoal. ("All we have to decide is what has already been decided"), I thought.
E aí está o erro! Não crer em mudanças e lutar por todas elas. Sim! É o que você tem feito! Aos olhos alheios, julgarás o alheio aos olhos dos que te escutam. E os que te escutam, são rios de versos, tão verborrágicos quanto és. Ficarei comedido, mas não comovido quando a serpente devorar a própria cauda. ("Las cosas cambian y vuelven al punto de partida"), Yo pensé.
18 de outubro de 2018
Parte I de minhas pitangas políticas
Se o sujeito é incompetente a ponto de não saber ir a um debate ou mesmo debater, que destreza terá para assumir um cargo de presidente? Até Dilma Rousseff sabe discursar melhor que Jair Bolsonaro. Esse último, somente sabe dialogar com os capachos de Edir Macedo e outros pastores que usam e abusam do controle social.
Contudo, a sociedade tem se habituado com a lógica do absurdismo disfarçada de crítica a esquerda. No momento, para os eleitores de Bolsonaro, tudo é comunismo, tudo é ideologia de gênero. Bolsonaro parece ter saído de um episódio de "Choque de Cultura". É uma piada; e, quem ri, não somos nós. São os do topo da pirâmide. A vida, essa circularidade estocada nas pirâmides sociais.
Oremos!
12 de outubro de 2018
As bolhas de Bolsonaro (texto de L.C.M.)
*Texto retirado do Blog: Meu Verbal
Bolsonaro é o candidato mais bem adaptado ao que eu creio ser o futuro
das campanhas políticas. O candidato do PSL provavelmente sob orientação
de Steve Bannon soube se aproveitar com maestria da natureza das
interações em rede, que hoje em dia chegam a ocupar uma boa parte de
nosso tempo. A questão é que não se trata mais das mesmas regras de
quando as mídias tradicionais tinham monopólio da informação sobre os
candidatos, a informação hoje circula de modo diferente e para que
possamos entender como o candidato tirou proveito disso devemos antes
entender o que as redes sociais trouxeram de novo.
A TV tem por objetivo oferecer um produto que garanta a audiência do telespectador, quando se trata da TV aberta os telespectadores formam um grupo amplo, já nos canais da TV fechada os telespectadores formam grupos reduzidos. Tanto a aberta quanto a fechada modelam aquilo que emitem de acordo com o feedback fornecido pelos seus telespectadores, um programa é cancelado quando tem pouca audiência, notícias polêmicas, que são garantia de audiência, inundam nossos televisores, o único poder que tem o telespectador (se é que tem algum) é o de continuar assistindo ou não. Aqui é importante notar que o cidadão não tem um papel de emissor e/ou criador do conteúdo. Outra característica é que o conteúdo emitido pela TV atinge simultaneamente todos os telespectadores, e desse modo a chance de desagradar algumas pessoas é maior do que no caso das redes sociais (discutiremos mais adiante), sendo consequência disto um certo controle do conteúdo pela média do feedback fornecido pelos telespectadores. A mídia poderia, por exemplo, distorcer algumas notícias, mas não ao ponto de perder audiência, caso haja um descontentamento por parte do telespectador a retroação será sobre o conteúdo emitido.
A TV tem por objetivo oferecer um produto que garanta a audiência do telespectador, quando se trata da TV aberta os telespectadores formam um grupo amplo, já nos canais da TV fechada os telespectadores formam grupos reduzidos. Tanto a aberta quanto a fechada modelam aquilo que emitem de acordo com o feedback fornecido pelos seus telespectadores, um programa é cancelado quando tem pouca audiência, notícias polêmicas, que são garantia de audiência, inundam nossos televisores, o único poder que tem o telespectador (se é que tem algum) é o de continuar assistindo ou não. Aqui é importante notar que o cidadão não tem um papel de emissor e/ou criador do conteúdo. Outra característica é que o conteúdo emitido pela TV atinge simultaneamente todos os telespectadores, e desse modo a chance de desagradar algumas pessoas é maior do que no caso das redes sociais (discutiremos mais adiante), sendo consequência disto um certo controle do conteúdo pela média do feedback fornecido pelos telespectadores. A mídia poderia, por exemplo, distorcer algumas notícias, mas não ao ponto de perder audiência, caso haja um descontentamento por parte do telespectador a retroação será sobre o conteúdo emitido.
No caso das redes sociais a questão difere drasticamente. O primeiro
passo é entender que as redes sociais não são emissoras, ou seja, elas
não tem um produto audiovisual que se modifica em função da audiência, o
seu produto é mais sutil, ele é condição tanto para a emissão quanto
para a recepção do conteúdo, seus usuários são "emissoras" e "audiência"
ao mesmo tempo. Entende-se, então, que as redes sociais na verdade
fornecem um meio, seu produto é uma ferramenta que se modifica pela
eficácia e eficiência em seu uso, o Facebook, por exemplo, está sempre
realizando modificações a fim de ser mais útil ao usuário. O usuário
caso se rebele não será quanto ao conteúdo recebido, como nas mídias
tradicionais, mas sim quanto ao uso da ferramenta. É a combinação do
fato de as redes sociais terem como produtos ferramentas e estas
ferramentas serem basicamente de interação que leva ao problema, sendo
que ele se constituiu da seguinte forma: a rede social precisa que sua
ferramenta seja de uso eficaz por parte do usuário e este será eficaz no
uso somente quando tiver sucesso na sua emissão de conteúdo e na
recepção de conteúdo, dessa forma as redes sociais acabam modelando seu
produto de forma com que você seja sempre eficaz nas suas interações (o
que difere da vida fora da rede), mesmo que para isso ela o engane
exercendo um controle muito mais sutil. A ferramenta condiciona o homem.
Porém que controle é esse, como ela condiciona as pessoas e quais as
consequências disso?
O controle tem por base o reforço imediato dependente do emitir e do receber, por exemplo, quando uma pessoa envia uma mensagem em um grupo de WhatsApp e rapidamente tem como feedback do grupo mensagens de apoio, concordância, incentivos e etc. a probabilidade de ela enviar no futuro novas mensagens do tipo aumentam. Um importante efeito disso será que o feedback do grupo será sempre no sentido de receber mensagens do mesmo tipo, criando com isso redes de interação chamadas de bolhas ideológicas. Nelas haverá sempre uma baixa variabilidade no repertório de seus integrantes, sendo que qualquer coisa que fuja de uma estimulação positiva será punida por mensagens de discordância ou facilmente excluídas do grupo. O único requerimento para participar do grupo será o de concordar com ele, fazer rir para poder rir.
Atualmente há muitas bolhas ideológicas, sendo que até mesmo algumas ferramentas criam mecanismo para garanti-las, os algoritmos do Facebook garantem a eficácia da emissão selecionando previamente quem verá as postagens e garantam a boa recepção do conteúdo selecionando previamente a quem será emitido.
A grande sacada da campanha de Bolsonaro foi a de ter se aproveitado das características das bolhas ideológicas. Os grupos de WhatsApp, por exemplo, são bem representativos do que seriam as bolhas. Cada grupo pode ter até 256 integrantes, estes podem ser de qualquer lugar do país e ter como apoio qualquer tema, por exemplo, porte de armas, antipetismo, parada hétero entre outros. Sua equipe e apoiadores ao disseminar conteúdo nesses grupos fazem com que fragmentos da imagem do candidado circulem somente pelas bolhas onde seja vantajoso circular, sendo assim Bolsonaro não tem o risco de desagradar seus eleitores mostrando qualquer coisa que desagrade o grupo específico. Talvez seja por isso que o candidato se recuse a participar dos debates, há o risco de apresentar suas facetas de uma só vez. A bolha terá o funcionamento já citado, seus membros terão baixa variabilidade no repertório e devido a um condicionamento diferencial passarão a se comportar de modo característico ao do grupo, este modo se caracterizará pela falta de debate e a exclusão imediata do que indica a posição oposta. Além do já dito, entende-se também o motivo de Eduardo Bolsonaro ter sido eleito com tantos votos, sua estratégia foi criar bolhas sobre temas específicos reunindo pessoas que antes eram incomunicáveis entre si, conseguindo um aumento de votos de 130% em relação a candidatura de 2014.
Embora não exista tantos dados a respeito do tema, procurei reunir um conjunto de forma um tanto rudimentar, mas que já oferecem alguns indícios.
Hoje o Brasil tem 147 milhões de pessoas aptas a votarem, 117.364.560 (79,67%) foram às urnas no primeiro turno, Bolsonaro teve 49.276.990 (46,06%) dos votos válidos. A questão é que 81% dos eleitores de Bolsonaro são usuários de alguma rede e se levarmos em conta seus votos válidos serão cerca de 39.914.361 de seus eleitores. Desses 39 milhões 57% leem notícias pelo WhatsApp, cerca de 22.751.186 de seus eleitores, 61% leem pelo Facebook, cerca de 24.347.760 pessoas. O número de eleitores de Bolsonaro que compartilham notícias pelo Facebook é de 12.373.475 (31%), já pelo WhatsApp é de 15.967.744. Nenhum candidato chega ao mesmo número de pessoas, Haddad tem, por exemplo, apenas 59% de seus eleitores fazendo uso das redes, lembrando que seu número de eleitores é muito menor que o de Bolsonaro. Outra questão também são as fake news, uma pesquisa realizada pela veja mostrou que 67% das que se referiam ao candidato eram positivas, 22% negativas e 11% neutras, sendo que nenhum dos outros candidatos tiveram o número de positivas maior do que as negativas.
Creio que o mais importante seja notar como que as redes mudaram a qualidade das nossas interações e como os candidatos tanto de esquerda quanto de direita - atualmente mais de direita - estão e continuarão tirando proveito de tudo isso.
O controle tem por base o reforço imediato dependente do emitir e do receber, por exemplo, quando uma pessoa envia uma mensagem em um grupo de WhatsApp e rapidamente tem como feedback do grupo mensagens de apoio, concordância, incentivos e etc. a probabilidade de ela enviar no futuro novas mensagens do tipo aumentam. Um importante efeito disso será que o feedback do grupo será sempre no sentido de receber mensagens do mesmo tipo, criando com isso redes de interação chamadas de bolhas ideológicas. Nelas haverá sempre uma baixa variabilidade no repertório de seus integrantes, sendo que qualquer coisa que fuja de uma estimulação positiva será punida por mensagens de discordância ou facilmente excluídas do grupo. O único requerimento para participar do grupo será o de concordar com ele, fazer rir para poder rir.
Atualmente há muitas bolhas ideológicas, sendo que até mesmo algumas ferramentas criam mecanismo para garanti-las, os algoritmos do Facebook garantem a eficácia da emissão selecionando previamente quem verá as postagens e garantam a boa recepção do conteúdo selecionando previamente a quem será emitido.
A grande sacada da campanha de Bolsonaro foi a de ter se aproveitado das características das bolhas ideológicas. Os grupos de WhatsApp, por exemplo, são bem representativos do que seriam as bolhas. Cada grupo pode ter até 256 integrantes, estes podem ser de qualquer lugar do país e ter como apoio qualquer tema, por exemplo, porte de armas, antipetismo, parada hétero entre outros. Sua equipe e apoiadores ao disseminar conteúdo nesses grupos fazem com que fragmentos da imagem do candidado circulem somente pelas bolhas onde seja vantajoso circular, sendo assim Bolsonaro não tem o risco de desagradar seus eleitores mostrando qualquer coisa que desagrade o grupo específico. Talvez seja por isso que o candidato se recuse a participar dos debates, há o risco de apresentar suas facetas de uma só vez. A bolha terá o funcionamento já citado, seus membros terão baixa variabilidade no repertório e devido a um condicionamento diferencial passarão a se comportar de modo característico ao do grupo, este modo se caracterizará pela falta de debate e a exclusão imediata do que indica a posição oposta. Além do já dito, entende-se também o motivo de Eduardo Bolsonaro ter sido eleito com tantos votos, sua estratégia foi criar bolhas sobre temas específicos reunindo pessoas que antes eram incomunicáveis entre si, conseguindo um aumento de votos de 130% em relação a candidatura de 2014.
Embora não exista tantos dados a respeito do tema, procurei reunir um conjunto de forma um tanto rudimentar, mas que já oferecem alguns indícios.
Hoje o Brasil tem 147 milhões de pessoas aptas a votarem, 117.364.560 (79,67%) foram às urnas no primeiro turno, Bolsonaro teve 49.276.990 (46,06%) dos votos válidos. A questão é que 81% dos eleitores de Bolsonaro são usuários de alguma rede e se levarmos em conta seus votos válidos serão cerca de 39.914.361 de seus eleitores. Desses 39 milhões 57% leem notícias pelo WhatsApp, cerca de 22.751.186 de seus eleitores, 61% leem pelo Facebook, cerca de 24.347.760 pessoas. O número de eleitores de Bolsonaro que compartilham notícias pelo Facebook é de 12.373.475 (31%), já pelo WhatsApp é de 15.967.744. Nenhum candidato chega ao mesmo número de pessoas, Haddad tem, por exemplo, apenas 59% de seus eleitores fazendo uso das redes, lembrando que seu número de eleitores é muito menor que o de Bolsonaro. Outra questão também são as fake news, uma pesquisa realizada pela veja mostrou que 67% das que se referiam ao candidato eram positivas, 22% negativas e 11% neutras, sendo que nenhum dos outros candidatos tiveram o número de positivas maior do que as negativas.
Creio que o mais importante seja notar como que as redes mudaram a qualidade das nossas interações e como os candidatos tanto de esquerda quanto de direita - atualmente mais de direita - estão e continuarão tirando proveito de tudo isso.
*O texto é de um Blog de um amigo, analista do comportamento, contêm coisas de análise do comportamento, política, poesias, textos reflexivos, etc.
Para entrar diretamente na fonte, é só clicar lá em cima, no "Meu Verbal"
20 de setembro de 2018
De que Messias estamos falando?
Escuto dizer com frequência: o voto é secreto. Porém, é de saber comum que as consequências do comportamento de votar, essas, não são secretas. Inclusive, são de fácil previsibilidade, a depender das políticas públicas do candidato em questão.
Uma excelente forma de conhecer as propostas de seu candidato/ de sua candidata é ler o projeto de governo dele/dela.
Claramente, os preceitos morais estão em jogo nessas eleições: Bolsonaro tem sido apoiado por Evangélicos e Católicos, em sua maioria. Homens, brancos e com formação acadêmica também são grupos que estão a eleger o sujeito em questão.
Faço um apelo a coerência de pessoas que estão nesse grupo religioso, a saber. Por favor, analisem as propostas. Não é meu intuito questionar seu voto. Meu intuito é questionar valores. É questionar os interesses e ideais. É questionar as consequências do nosso comportamento. É possibilitar um momento de reflexão, mais do que de discussão.
Costumeiramente, em seus discursos, e de seu vice, palavras de ódio são proferidas contra grupos sociais. Não só minorias. Ele já declarou seu ódio para com as mulheres. Por diversas vezes, inclusive.
Bolsonaro é a favor do porte de armas para a população. Me dirigindo aos amigos evangélicos e católicos que acessam o Blog: Jesus, enquanto pessoa, defendia a paz e o respeito, não o ódio, o armamento, a ignorância. Não apedrejar os que pecam, pelo contrário, ajuda-los para viverem uma vida de paz, amor e sabedoria. Jesus oferecia a outra face, multiplicava os peixes, atendia os interesses dos pobres. Bolsonaro apoiou as reformas do Temer, prega a segregação, atende os interesses dos bancos e ricos. É esse o modelo a ser defendido?
Bolsonaro defende privatizações, em excesso. Defende a política do "quem tem mais, paga menos; quem tem menos, paga mais". É justo tirarmos dos mais pobres? É justo doarmos o que é público para os interesses dos magnatas do poder? Se uma estatal não está funcionando direito, há de investir e corrigir os problemas, não simplesmente vender os bens públicos. Essa ideia de "reduzir custos", na verdade, é de extrema ignorância. Ficaremos reféns dos interesses exploratórios do mercado, dos banqueiros, dos que não dão a cara a tapa. O serviço público não tem funcionado direito porque o investimento tem sido baixo. O SUS não é um problema, é uma solução. Se privatizarmos tudo, acreditam mesmo que as empresas privadas vão se preocupar com quem mais precisa, com o povo, conosco? Bolsonaro é a versão Temer Popular.
Bolsonaro, além de tudo, desconhece o valor do contato social, que as igrejas conhecem bem, pois trabalham a cooperatividade e a ajuda mútua. Recentemente, o candidato em questão, defendeu que as crianças sejam educadas em casa, argumentando que na escola pouco aprendem. A ignorância tem seus custos. A escola não é somente um lugar de aprendizagem de matemática e português, é lugar de convívio e partilha. Lugar de civilidade e convivência. Jesus, novamente faço esse apelo, ensinava na Sinagoga, atraia multidões para partilhar com eles palavras de amor, conforto e gratidão. Não por menos, foi crucificado por isso. Os docentes, por muito tempo, estão sendo crucificados por isso. Um verdadeiro professor, Jesus sabia o valor social que o conhecimento trazia.
Eu poderia enumerar outras quinhentas mil coisas. Como por exemplo o fato da equipe de Bolsonaro ter espalhado, por diversas vezes, notícias falsas para prejudicar outros candidatos. Jesus, ao contrário, repudiava a mentira e, além de tudo, ensinava o que hoje se chama de caminho da verdade e da vida.
Não caiam em propaganda de marqueteiro de político. Os valores morais que Bolsonaro diz defender, são incoerentes com todas as suas práticas. Não sou religioso, mas tenho fé de que a humanidade não se deixará ser guiada por práticas subversivas. Muitos tem me dito que vão votar nesse cidadão por ele ser anti-PT. Não é necessário votar em alguém só por ser contrário a algo. Existem outros candidatos, outras propostas que certamente podem e devem ser estudadas por cada um de nós.
Não sou contra quem vota no Bolsonaro, penso que é preciso entender os porquês de tal prática tão prejudicial a nossa nação. Apenas repito, principalmente aos de religião evangélica e católica que estão a ler: pense em seus valores, pense nas consequências desastrosas que podem ocorrer. Espero que a religião seja uma forma de trazer paz, amor e solidariedade ao mundo. Não um mecanismo de exploração e alienação. Não é com preconceitos e ódio, tão disseminados na campanha desse sujeito que mudaremos algo. Jesus, Bashô, Cruz e Souza, entre outros, como Leminski nos revela, eram profetas de boas palavras, de boas práticas culturais, de amor e cooperação; não de preconceito e ódio.
Por fim, deixo um verso do Paulo Leminski, para que seja claro o óbvio que vos comunico:
"Eu, hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma ideia clara.
Só existe um segredo.
Tudo está na cara".
9 de setembro de 2018
Castigo e castigo
Do pão e do circo
entende o pobre
compreende o rico
o primeiro, se alimenta
o segundo, moda inventa
o pão se requenta
de tempos em tempos
a mão do livre mercado
bagunça e esfaqueia:
há quem acredite no teatro,
há quem não saiba distingui-lo
confunde rio Tietê com o rio Nilo.
(Bolsa de valores sobe:
rico não produz; especula).
No nome, Messias.
Ironia? Prega aos ouvidos e olvidados
suas pragas e profecias.
Novo merchandising:
ultranacionalismo de direita populista.
No fundo, na lama,
é um Temer versão popular.
E o pobre vota, toma bota,
depois chora pitangas e impostos.
Tá ok?
Texto escrito após leitura de:
20 de dezembro de 2016
Aviso aos navegantes
A partir do ano que vem, começarei a narrar minhas poesias, deixando a narração disponível no final de cada publicação. Para quem odeia ou simplesmente não gosta de escutar narrações de poesias, nada muda. Para quem tem interesse ou realmente acha que enriquece o poema ter uma narrativa, poderá escutá-las.
O que acham?
23 de outubro de 2015
Rascunho de um Chino IV
A: O mundo evoluiu tanto, rapaz!
B: Se bem me lembro, meu netinho disse que estamos no auge da evolução, nunca fomos tão sábios e ricos!
A: Oxi! Num é que cê tá certo! Somos os animais mais evoluídos. Seres pensantes, racionais, pois é.
C: Com todo respeito sinhoris, num tô querendo chorar as pitangas da vida, mas os patrão teria um trocadinho pr'eu pode comê? Que Deus abençoe patrão.
A: ...
B: Pois é!
B: Se bem me lembro, meu netinho disse que estamos no auge da evolução, nunca fomos tão sábios e ricos!
A: Oxi! Num é que cê tá certo! Somos os animais mais evoluídos. Seres pensantes, racionais, pois é.
C: Com todo respeito sinhoris, num tô querendo chorar as pitangas da vida, mas os patrão teria um trocadinho pr'eu pode comê? Que Deus abençoe patrão.
A: ...
B: Pois é!
19 de outubro de 2015
Diálogo IV
A: Não temos a primavera
somente lágrimas e dores
morreram as belas flores
e perecemos na espera.
Mas o mundo muda
e voltará a antiga estação!
B: Rapaz, não te iluda,
não magoe o teu coração,
as dores que sente
não quedarão ausentes
apenas aumentarão.
Tudo ficará triste,
mesmo o que não existe.
A: Quanto pessimismo!
Oh, livrai-me do mal.
B: Eis teu realismo:
o desastre cabal!
A: Quanta insistência
acaso queres meu sofrimento?
B: Não desejo a decadência
sim apenas a lamento.
A: Pois recriarei o mundo!
E farei do velho o novo.
B: Farás do sujo o imundo.
A: Cala-te!
B: Calo e dissolvo
nas tuas palavras só uma:
desastre
e eis que a vida suma
no mal que se
alastre!
somente lágrimas e dores
morreram as belas flores
e perecemos na espera.
Mas o mundo muda
e voltará a antiga estação!
B: Rapaz, não te iluda,
não magoe o teu coração,
as dores que sente
não quedarão ausentes
apenas aumentarão.
Tudo ficará triste,
mesmo o que não existe.
A: Quanto pessimismo!
Oh, livrai-me do mal.
B: Eis teu realismo:
o desastre cabal!
A: Quanta insistência
acaso queres meu sofrimento?
B: Não desejo a decadência
sim apenas a lamento.
A: Pois recriarei o mundo!
E farei do velho o novo.
B: Farás do sujo o imundo.
A: Cala-te!
B: Calo e dissolvo
nas tuas palavras só uma:
desastre
e eis que a vida suma
no mal que se
alastre!
18 de outubro de 2015
Diálogo III
A: A poesia é vaga e em nada muda o mundo.
B: Por exato. Apenas altera o ego de quem lê e de quem escreve.
A: Como?
B: Pois a escolha poética de ver o mundo como feio e tempestuoso, torna o mundo feio e tempestuoso. Sem brechas para a beleza e para a paz.
A: E em que isso é válido?
B: É válido no contrário. Vê-lo belo e de paz, ou ao menos recriá-lo assim para o leitor.
17 de outubro de 2015
Diálogo II
A: O fim está próximo! O fim está próximo!
B: E a que isso me importa?
A: Arrependam-se dos pecados cometidos!
B: O pecado é invento
judeu
não vejo pecado em nada,
nem no pecado
meu.
16 de outubro de 2015
Diálogo I
A: Cansei
B: Da vida?
A: ... da lei!
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