Mostrando postagens com marcador Personificação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Personificação. Mostrar todas as postagens

5 de dezembro de 2019

Regras ocidentais empanadas em farofa de pensamento (I)


"Suspeite daquilo que mais desejas", é o que vos digo. E, repito, com outras palavras, para que não sejas refém de tua sina e de teus sórdidos pensamentos: "ignore o lado poético que suspende as regras morais e, num só golpe, desperte de seu estado hipnótico de almejar algo".

Ao fundo, bem sabes que queres somente o que jamais terá. E não por incompetência, mas que no modo ocidental de arranjar as coisas, o desejo é puro estado de ausência. Então, repito a mesma asquerosa frase: "suspeite daquilo que mais desejas".

28 de julho de 2019

O leitor de Kardec



Que a madrugada seja longa, não é novidade,
naquela impaciência de um fumante em abstinência
vão os olhos de um canto ao outro, em desespero,
procurando uma posição na cama em que o pensamento encoste
e deixe de incomodar.

A televisão da velha ainda está ligada, o vizinho
ainda fuma sua erva com tranquilidade. Os gatos, felizes.
O vento sopra frio, ainda que esteja tudo abafado.
A velha, ronca seu terceiro sono. A neta, ali com seu bruxismo.
O neto, após um episódio de uma série qualquer, dorme.
Meus amigos...alguns embriagados, outros dementes, um ainda,
internado no hospital decadente. O vejo amanhã, antes da morte.

Penso no rancho. Nos seus insetos horripilantes. Faz falta.
Nessa mesma condição, estaria desenhando com meus olhos
o rio calmo, sem humanos a lhe enfeitar. Sons de pássaros,
a mãe-da-lua, assustando a tudo e a todos com seu "fui, fui, fui".
Mas nunca vi curupira. Lobisomem e espírito, já.

E a insônia me batiza novamente.
As oito voltas na pista de caminhada do bairro, não esgotaram;
amanhã serão dez, e meus joelhos implorando por descanso.
Quase oitenta anos, se é que preciso falar de tempo. Tempo...
uma mera invenção humana para notabilizar a dor
que vai do Sol até a Lua e da Lua até o Sol.
 
Por fim, fumo um cigarro, relaxo,
e me deixo levar pelo onírico.

21 de julho de 2019

O velho



"Entre a madrugada e o risco de luz
dorme o pensamento desgastante,
os sonhos brotam e sorrisos nus
cintilam felicidade por um instante;

noite interminável rindo de desgraça
transita o homem em seu pesadelo.
O frio que nunca passa
até que alguém deixe de percebe-lo.

Ruídos atiçam o ouvido
ratos mastigam dores.
Ressurge o esquecido
no rufar dos tambores.

É sempre frio lá fora
o fogo é raridade na escuridão".

O velho silencia e se escora
na sua própria solidão.
 
 

5 de julho de 2019

Dicionário: "Oscilar" é um verbo intransitivo que expressa um movimento alternado em sentidos opostos.


I-

Coisas do dia, aquilo que passa
pensou sozinho, sentado em pranto,
no desespero madrugado em solidão,

ela também, ali, no seu canto
enchia os olhos daquilo que não é suor,
ainda tinham algo em comum.

Do seu sentimento, ele quase esqueceu
e o mundo sempre faz lembrar
daquilo que calado ficou

ela, ao contrário, queria esquecer
mas tentar esquecer é se recordar
sofrer daquilo que não morre

Ele, tomou um gole de café amargo
tentava se erguer, de si, quase esqueceu,
a vida, suas cores, era apenas cinza.

Ela, se aqueceu e quis caminhar,
aos tropeços, era forte, de si, se lembrou,
em busca de cores e tons variados.


II-

Atrás / Além



III -

Fazia frio e incenso.
absorva e absolva
palavras tão próximas.


No fim, sou eu,
nevando no deserto
de frases soltas.





--------------------------------------

1 de julho de 2019

Adelino Simioni. To English read.

 
 
- Simioni is not that!
it's not the place
it's not the junction of streets
it's not just a neighborhood
not;

The simioni is someone
that inhabits the body
and never leaves alone

there is food
but do not have
iFood
 

1 de junho de 2019

Escutando rubatosis é que senti



conivente comigo mesmo
ficando com uma única direção
perco o horizonte do esmo
por me encontrar sempre assim

um misto de amarelo pálido
com magreza que é só osso
e as vezes não é só osso
e fica querendo isso só ser

por conivência comigo mesmo
e nunca foi diferente
não é de hoje, nem de ontem, amanhã,
coisa esquisita, viu?
é cíclico e cínico;

pareço gostar da ambiguidade
da exatidão da incerteza
do caos que me causo: paixão
por variabilidade estancada na cara;

pra variar?
pra nada.

6 de dezembro de 2018

"o repertório é diferente"



Desejo-te
coisa
alguma

longe
detalhes
encobertos

toques
sensações
olho a cópia

te sinto perto

26 de novembro de 2018

Personagem I - retratos de um pombo



E quantas vezes, olhando para o céu todo cinzento
não quis ser aquele pássaro?
O pombo que analisa o mundo pelo telhado,
parece muito mais civilizado que esse emaranhado
de variáveis a preencher minha solidão.

Tenho me negado a minha própria ilusão
não me parece viável chutar outra vez a pedra
e carrega-la, passo por passo, nessa estrada
longa caminhada em rota circular.

Tenho me negado aquilo que jamais abdiquei
(descrevo-lhe amigo, sinta minha lamúria
escorrendo pelas palavras ocas e secas que ecoam de minha voz),
sou aquilo que neguei? Sou mesmo isso?

O pombo, a decifrar as praças e os meios públicos
e eu, aqui, olhando o céu cinzento, as nuvens
que nem vejo formas. Tempos que ali havia algo.
Sou aquilo que neguei? Sou isso mesmo?

O profeta se alimenta de suas pregações:
anuncia a redenção e diz "arrependei-vos, pois ainda é tempo",
tempo de quê? para que? sou isso?
Jogai-me a primeira pedra, e deixarei cair a fé.