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6 de outubro de 2018

Desequilíbrios espelhados no tabuleiro


Escrever
sempre foi
impreciso

não de hoje
essa dor
igual a de siso

o xadrez
jogo de azar, segundo a segurança do shopping,
é conforto
outra vez

café em demasia
forte, diferente
dos versos dessa poesia

barulho mesmo
quem faz é a chuva
ainda
coisa toda turva

 

3 de novembro de 2017

tô, mate!



Tô mate hoje
meio xeque-mate
meio sem crédito
com o bispo
com a rainha
com o rei

tô, mate
daqueles cereja
pequeno
que tem sabor
de terra
feito por peão

tô mate
mais pra chimarrão
que pra café
coisa do clima né
interior de são paulo quando tem nuvem
é pó pra todo lado

ficar o tempo todo na defensiva
pra proteger um reinado que não é meu?
tô, mate, tô, com preguiça de xeque-mate
com preguiça de cozinhar.

28 de outubro de 2017

Chess


um movimento
xeque, diz.

um só momento
ser feliz.

vi nesse tabuleiro
peão enfrentar rei

ainda que só um
unzinho, minúsculo

e os outros trabalhavam
pra defender
"as peças mais valiosas"

peça mesmo
é o que a vida prega
quando em xeque
arregar, ninguém nega.
 


1 de julho de 2016

Leitura de jogo



Avante o Peão, na sua limitada existência,
com seus pares de Cavalo avançando lentamente.
Os bispos, como sempre, só querem comer a Rainha.
O Rei observa, sem ter muito o que fazer.

A Rainha, cheia de artimanhas, quer do outro o melhor,
não fica correndo atrás de Peões banais, ela gosta
é de Cavalos, e, adepta ao lesbianismo, da Rainha
do outro País.

Vez e outra, um dá sorte na vida.
O Peão, ignora o mundo ao seu redor
e pelo seu desempenho, é promovido.
Mas grandeza tem perna curta.

E logo se toma por ideia, um mate,
um café que esfria, pela impaciência.

Presa pelos cantos
a Rainha entrega o jogo
perde o encanto, os pontos,
perde o Rei, e o logro.

Não se ganha
toda partida

na gana
por vencer:
a falta de saída.

O Xeque-mate bem executado
a cabeça do Rei, ao lado.
Sangue que jorra no tabuleiro
E os Peões que sobram,
seguem felizes ao puteiro.