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25 de abril de 2020
Nota de rodapé (2)
E não seria
estar certo sempre
um indício
de seus constantes
erros?
11 de abril de 2020
Covard-17 e João sem Maria
João era amigo do Messias
do Messias da terra de Deus
(o outro Messias)
tinha apelido de trabalhador
e passava creme nas mãos.
O Messias também era
amiguinho de João
mas fingia que não.
Dizia ser diferente
era católico e crente
e comia panetone de seu filho
usufruindo da aposentadoria que,
como qualquer Messias,
recebia desde os 33 anos.
No momento, João e Messias,
antes de caso, vivem de viés.
É que João e Messias estão
metendo as mãos pelos pés.
Mas, fogo que apaga,
logo nossos personagens
amiguinhos novamente
retornam em nova saga.
Atleta e pulôver,
até que o jogo
diga game over.
30 de março de 2020
Monologia antiga
...apegar-se a uma única ideia
descabida, esfacelada, crua,
mergulhar fundo e prender o ar
esperando que exista oxigênio
ali nos âmagos de canto algum...
É pra se calar sem medo.
18 de março de 2020
Domesticando
Não tenho o que dizer.
Vocês estão todos sedentos.
Estão todos esperando algo.
Não estão? Estão. O tédio,
consumirá cada alma correta;
nada de missas, deus te abandonou.
De fato, deus nunca se importou.
E a culpa é sua. Você quem o criou.
Não tenho o que dizer.
O isolamento é forma de viver.
Saberá lidar consigo e mais ninguém?
Não. Por isso, inventará seres
surreais e criativos. Ninguém te ajudará.
E a culpa é de ninguém.
Não tenho o que dizer.
Leia um livro. Veja um filme.
Escreva um livro. Siga firme.
Ignore o caos cautelosamente.
O amanhã a ninguém pertence.
O depois é uma metáfora.
Mas não entrem em pânico.
Quando foi que tudo esteve em ordem?
Quando foi que tudo esteve adequadamente bem?
O exílio é o destino de todo ser humano. Cedo ou tarde.
Mas não tenho o que dizer. Tudo já foi dito.
Realmente tudo já foi dito. Até a inutilidade. Até o que deveria calar.
Enfim,
não sou só eu que não tenho o que dizer.
24 de fevereiro de 2020
Zoo do Koba
Aos biólogos e curiosos de plantão, deixo link de um blog que achei muito bem estruturado e de fácil compreensão.
30 de dezembro de 2019
But I could, so fuck off.
Você quer que tudo se foda
toma seu gole de seja lá o que for
e realmente quer que vá tudo para o inferno
mas quer também
que os outros aproveitem e gozem
pois sabe bem que todos querem que tudo se foda.
Você não é o único. Nunca foi. Não há nada de especial.
Ainda bem, viu?
Estou sendo ríspido com as palavras, mas convêm.
Você suporta tanta coisa, uma ridícula poesia não te ofenderá.
E se ofender, com o que é que não nos ofendemos?
Vá junto com os demais se foder. Irei junto.
Sinceramente, vamos todos. Abraçaremos o caos.
Lamberemos a última gota do cálice do diabo.
As coisas - me dê licença para inventar a roda - serão piores
serão piores e piores serão. Não se deixe levar pela esperança.
Ela é a última que morre, já foi dito. Todos morrem antes.
Bradarão alguns, "oh, mas que lástima de versos". Estão certos.
Estão sempre certos, e esse é o maldito problema.
Estão sempre cheios de certezas, e certezas otimistas.
Oras, vão se foderem. Talvez até encontrem antes o céu.
Como eu ia dizendo até que estes infelizes me aparecessem em pensamento,
você quer que tudo se foda.
Mas estamos por aí, fodendo com tudo também.
Ou não?
10 de dezembro de 2019
Raskólnikov?
cabeça a mil
tontura e tonteira
sou eu a gota
dessa torneira
cruel e vil
viu por dentro
nada sentiu
só o nervoso
vermelho correndo
é assombroso
que esteja doendo
cumpriu-se a profecia
como um condenado
o cárcere interno
seu eterno legado.
29 de novembro de 2019
Utopias e os espíritos atuais
Acreditar em utopias preserva o mundo do caos. Desejar aquilo que sabemos improvável, não é aumentar a proporção da queda. Ao contrário, é crer que somente aceitando a profunda escuridão é que saberemos soluções para ela. Acredito em utopias. Sempre acreditei. Em deuses e figuras de linguagem, quase nunca. Em Utopias sim. Não há nisso ato ilusório. Há rigor. Aliás, o que foi que fizeram com os escritores de Utopia? Vejo que só há espaço para Distopia. Uma lástima que os seres do mundo se prendam a satirizar aquilo que é desejo e alternativa. Os distópicos, no fundo, satirizam suas próprias descrenças e pessimismos. Crer em Utopia não faz de ninguém um sonhador ou mesmo um religioso, ou ainda, um otimista. Não. A Utopia é a margem do Pragmatismo.
21 de novembro de 2019
Contra pontos
Do que nunca foi
sempre pensado esteve
tomou é um boi
com esse peso, sentir leve
nesse calor
cair neve
estrelas e neurônios;
na poesia reveste dor
valores dos mais hedônicos
a brilhar o céu
tu, que é réu
do seu próprio ser
talvez ignore pra valer
aquilo que um dia disseram
que não porque não.
12 de outubro de 2019
Filhos do rei e mauricinho esquecido
“sí, se puede”
Sácalo de allí
Tíralo por allá
y aquí hacemos lo mismo
en unos años
¿o no?
Seguimos
tratando de resolver
el fuego con pólvora
Y nos olvidamos
de nuestra próxima generación
Desde hoy, hay otro modo de hacer
las cosas
pero
se esperan fuertes tormentas
28 de setembro de 2019
Sangue, suor e lágrima (ó, proletário)
Pois então, passemos a vida inteira lutando pelo que mais odiamos. Lutemos até a última gota de sangue por aquilo que nos mata. E nos consome. As estrelas distantes que não nos cegam mas que tampouco nos aquecem o suficiente. Vamos em busca delas! Assim, seguiremos o nó do labirinto até que encontraremos a nós mesmos no amanhã. Eis ali, caçador e caça a brindar o próprio suor, sem que saibam. "Crescer na sociedade". Que te parece? "Subir de vida". E não importa se de escada ou de elevador. São termos da moda, são termos que descrevem o modismo operário. Faça ao outro aquilo que fizeram contigo, pensa o sujeito. Sim, assim ele aprendeu. Não retiro o peso da determinação no comportamento (ainda que probabilístico, sou um determinista; e antes de me lançar pedra, estude o conceito). Mas não estamos falando disso... Ele aprendeu. E replicou, como foi ensinado a fazer.
"Quando o trabalhador cresce na sociedade
E tem a oportunidade de ser protagonista da história
Ele pratica o método do opressor
Porque foi o único método que aprendeu
Então, ele só sabe agir como o opressor..." (Tom Zé, em Esquerda, Grana e Direita).
E tem a oportunidade de ser protagonista da história
Ele pratica o método do opressor
Porque foi o único método que aprendeu
Então, ele só sabe agir como o opressor..." (Tom Zé, em Esquerda, Grana e Direita).
Mas, Tom Zé, para além da minha absoluta concordância contigo, temo dizer que o trabalhador se vendo enquanto protagonista, sente na pele, ainda que brevemente, que faz ao outro o que lhe foi feito. É gado que monta no rebanho, eu sei. Mas no momento de marcar com ferro em brasa aquele que foi seu companheiro, vive uma luta dramaturga entre queima-lo ou não...
Aí entramos. Devemos estar prontos para saber como mudar a sensibilidade comportamental.
Comecemos por queimar os livros de autoajuda e a banir o mentalismo no campo cultural.
7 de setembro de 2019
Epistemologia comportamental I
"É que o discurso em questão fere outro que não eu. Atravessa imaginários longínquos de meu apelo. E o faço por isso. Por não saber do vento a devorar a pele do desabrigado. Por não sentir os passos do miserável. Por não ter a pedra dura a me consolar os pensamentos. Por isso o faço. Por isso todos fazemos! É por não entrar em contato com as contingências que dominam seja lá o que for que está alheio.
Só por isso.
Pelo mundinho que se encerra em minha pele ser mais forte do que o que está ali, aos meus/nossos olhos, e não nos ensinaram a ver.
Respeitar as diferenças não é suficiente. Tolerar, menos ainda. É preciso se expor ao outro. É urgente sê-lo. Que a definição de sujeito precisa ir além da pele que habitamos".
(e preciso viver isso)
2 de setembro de 2019
Analysis of himself
Nada pessoal, conheço bem suas motivações, pois as minhas já foram parecidas. Hoje, desdenho do meu ontem, por saber da pouca relevância de causas absolutas que estrangulam as margens da interpretação e da análise. Ao fim, és pura decadência disfarçada de singelo abraço. Mas lhe dou voz. Não permito que te calem, pois nesse campo me firmo em Voltaire, e não dou voltas em sua defesa. Pelo contrário! Minha discordância é que te sustenta no discurso. Mas, não é nada pessoal. ("All we have to decide is what has already been decided"), I thought.
E aí está o erro! Não crer em mudanças e lutar por todas elas. Sim! É o que você tem feito! Aos olhos alheios, julgarás o alheio aos olhos dos que te escutam. E os que te escutam, são rios de versos, tão verborrágicos quanto és. Ficarei comedido, mas não comovido quando a serpente devorar a própria cauda. ("Las cosas cambian y vuelven al punto de partida"), Yo pensé.
16 de agosto de 2019
Gestação
nunca houve um começo
nunca houve um final
houvera sempre o "há"
um estado de coisa
sem coisa que apertasse o play
houvera o mínimo
antes que pudesse o nada
"haver"; que mínimo?
desconheço resposta,
não me interesso por ela.
mas houve, isso sim.
no conto da tela em branco
como metáfora de nada
havia a tela, havia o branco
e o comportamento
e o ambiente
o "não há", desconhecemos,
assim, descrevo deus:
relação entre variáveis
assim, descrevo o início de todas as coisas:
relação entre variáveis
assim, descrevo versos:
relação entre variáveis
assim, me descrevo:
relação entre variáveis
não fomos concebidos
fomos chutados fora
fomos cuspidos de um mundo ao outro
frutos
de seleção por consequências
(há algo mais belo que isso?)
sem propósito ou intenção
apenas fios e fios de funções
biológicas, culturais e ontogenéticas
15 de julho de 2019
"Conciliação" pragmatista entre eus (III)
Dói. Angústia de sei lá o quê.
Machuca. Desamparo constante.
Nó na garganta, sorriso fingido.
Poucos goles de café, o dia todo.
Boca amargada; distância.
Sou o rato no laboratório.
O experimentador retira a barra
retira a água, retira o controle de temperatura,
retira as pelotas de alimento.
Mas, não específica o comportamento
que devo manter.
Rumando uma conciliação
entre as partes do que chamo de "eu"
fico em volta e meia, de um canto para outro,
do trabalho para o estudo,
da cama para o chuveiro,
do gole de vinho ao copo de água,
da sua ausência para a minha.
A gaita, triste nas notas abafadas,
perpassa o canto do Urutau e,
fica nisso.
Mas, de vez em quando, esqueço
e, evitando minha própria cilada,
sorrio comigo.
11 de julho de 2019
"Conciliação" pragmatista entre eus
Despido da moralidade imposta, sou humano,
com pitadas amargas de sentimentos; sou,
e sempre fui, para ser sincero, muito menos racional que pareço.
Essa carcaça de razão impenetrável é apenas uma capa de chuva,
dessas descartáveis, de lojinhas do centro.
O eu emocional, em versos tão presente, se camufla
nos emaranhados do cotidiano, em paredes invisíveis e de isolamento acústico,
permeada de multidão e naquela sensação tão documentada de estar entre outros e se ver só.
No frigir dos ovos, o eu pragmatista impede o caos,
impede que a desordem seja notada; beira o ridículo, mas é suficiente.
22 de junho de 2019
Hodie mihi, cras tibi
Olhava o Sol, e pensava no que faria,
uma \ilha/ presa no concreto e no cimento,
lamento em dó maior, tempo de sobra,
sobra é o que era, o que sentia ser;
oh, cidadão. Me dê uma moeda
me dê de comer, me dê seu olhar
sua mão distante, parece viva,
dez centavos não lhe fará falta irmão.
E costuma chover, costuma ter ratos,
rosas não vi, ele me disse, rosas não vi.
Olhava a noite, até a lua sabe se esconder,
a noite é dos ratos, ele me disse, ratos de farda,
roedores, que pelas beiradas comem a paz.
"Eu só estava deitado no banco, Senhor".
E cidadão tem esse direito, ele me disse, tem?
Eu calei. Calei. Não ia falar. Não ia não.
Eu falaria o quê? Dei meu silêncio.
Olhava o Sol, e não parecia importar a hora
o dia o ano a vírgula o ponto era sempre de interrogação
semáforo é indústria dos não alienados.
Trabalhador é só mais um nome bobo, desses
que se inventa para separar pessoas e justificar
o que costumava silenciar. Não há verso que resolva.
Poesia é acordar no colchão.
Poesia é - as vezes - ter uma lata de cerveja e o que comer.
Mas poesia não alimenta, senhor.
Não mesmo.
1 de junho de 2019
Escutando rubatosis é que senti
conivente comigo mesmo
ficando com uma única direção
perco o horizonte do esmo
por me encontrar sempre assim
um misto de amarelo pálido
com magreza que é só osso
e as vezes não é só osso
e fica querendo isso só ser
por conivência comigo mesmo
e nunca foi diferente
não é de hoje, nem de ontem, amanhã,
coisa esquisita, viu?
é cíclico e cínico;
pareço gostar da ambiguidade
da exatidão da incerteza
do caos que me causo: paixão
por variabilidade estancada na cara;
pra variar?
pra nada.
31 de maio de 2019
Vários de 1 só (linha tênue)
a loucura distorcida
se faz norma
e na orla esquecida
em si retorna
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O homem chora mar
rio de lágrima correnteza
que leva em dúvida
qualquer certeza
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Acima daquilo de baixo
tem só abismo
e do rico
pobre cinismo
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
5 de maio de 2019
Vaiver pq ñ?
coisas que não
se fossem talvez
seriam sempre
só uma vez
eternos instantes
tempo nem
quando sabe se lá
só sei quem
vaiver
há menos
olhos
é visto
vaiver
insisto
claro
dentro
fora
dentro
fora
fora
fora
o que se pensa
algo mais?
o ângulo
é hipótese
um dia dá
(pensei)
de costas
há olhos
(eu sei)
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