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8 de abril de 2020

don't be Put/in off


    Dó                              Livro                    Tudo
   isto                        CCCP                   Num
é                            toy                          Stálin
      whisky                       stoy-co                  boom
amor                        platonóvico

    don't be Put/in off

11 de fevereiro de 2020

Só o título é relativo.



Preciso sentir uma tristeza verdadeira
Não apenas uma aguda sensação de vazio.
Preciso me deixar repousar inquieto
Não apenas deixar a rotina forçar meu sorriso.
Preciso me esquivar, fugir, sei lá para quê.
Não apenas ter motivos para tudo.
Preciso correr, em círculos, várias vezes.
Não apenas anotar os km de meus passos.
Preciso me esborrachar, deixar-me em queda.
Não utilizar o paraquedas para toda altura.
Preciso me acostumar comigo.
Não apenas acostumar-me com os demais.
Preciso sentir uma tristeza verdadeira.
Não apenas banir os pensamentos levianos.
Preciso uivar. Preciso mugir. Até latir.
Não apenas repetir vocalizações culturais.
Não preciso de muito. Não quero muito.
Não desejo demais. Não. Seriamente, não.
O jardim está belo. Borboletas são acréscimos.
O mundo é um paraíso. Como todo paraíso,
há esquisitões, há diabos, há metidos a anjos.
Que saibam, não sou o demônio incorporado
Menos ainda um santo, um beato.

E não estou no mundo para mártir.
Meu suplício é menor que o Artigo 6º da Constituição.
Não estou no mundo para o mundo.
Pensam que estou para mim?
Não também. Não tenho objetivos.
E isso é magnífico. Acreditem.
Não ter um peso, uma missão, um além.
Apenas a insignificância de nossas vidas.
Clamando por algo a fazer.
Exigindo verbos, adjetivos e regras gramaticais.
Exigindo o contrário disso.
Para tornar-se aquilo.
Não é mesmo? Talvez não.

Quem é que sabe algo? Que o saber
é somente acúmulo. Repertórios soltos
Verbais prontos para disparar aos ouvintes
Aquilo que pensam que querem ouvir.

 
 

16 de janeiro de 2018

Um só poema




Um poema direto, sem dupla interpretação
concreto, duro, denso, pesado, quase prédio.
Um poema insensível, sem o menor arrepio.

Um poema cidade, um poema metrópole,
um poema avenida, um poema rodoviária,
um poema sem frescuras versadas, sem
o mínimo interesse em agradar o público.

Um poema que não se submete ao bater das palmas.
Um poema que não se deixa levar pelas próprias palavras.
Um poema cru, com rugas e espinhas.
Um poema "oi, tudo bem?", que evapora sem resposta.

Um poema direto, como disse.
Um poema disposto em decreto.
Um poema que resolvesse poeta.

Um só poema.

29 de dezembro de 2017

O Grande Circo


Ele se move, sutileza inolvidável


"Que queres que eu diga?
Resultará igual, não?
Então, melhor silenciar, que pensas?
Escutar um jazz enquanto o diabo dança?
Observar o mundo desabando e rir?
Chorar? Não, que isso é besteira, concordas?
Te digo, vamos calar; de acordo?

E em silêncio, um baile de horrores?
Respeitável público. Senhoras e Senhores ...
Bêbados e sóbrios hostis.


Que querem que eu diga? "
 
 

7 de novembro de 2017

Introdução ao contexto



deixai o enigma do entendimento para os que leem
os escritores só rabiscam e deturpam versos
não são coerentes, nem querem assim; a maestria
das frases de efeito que o diga, o verbo arremessado
cante aqui o que tendo dizer.

deixai os sonetos e a contagem de sílabas para gramáticos
os que inventam ordem no caos;
os escritores são dementes, clementes por imediatez
ficam a brincar com algo tão seco de vida.

deixai os questionamentos para os epistemólogos,
as análises de conflitos internos inventados para os psicanalistas
as lamúrias para o funcionário público,
as dores da profissão para os docentes doces inocentes,
a poesia é, somente e para, controle.

Sim! Pensais, tolo, que as estrofes não são para controlar,
desviar opiniões, convencer-lhes?
Que o objetivo tem o escritor que não o de manipular
suaves olhares? Para que os efeitos, feitos e enfeites?

Enquanto comentam a política, enquanto discutem o clima,
enquanto analisam variáveis, enquanto sustentam hipóteses,
enquanto defecam, dormem, riem, choram, sufocam, falam;
lá está o escritor! Lá está, a lhes observar, dominar, dando-te forma,
manejando com controlada aleatoriedade as palavras que fincarão
a estaca versada no teu comportamento.

E se perguntarão o significado daquele poema...

3 de agosto de 2017

Memórias de um sargento de termos e conceitos


Ciência

será que deu
certo
só por coincidência?
Ou por incidência?
Aquilo provado
não pode ser negado

psicanálise é a mãe das crendices,
a mente é só um termo inventado,
veio um sujeito criando termos novos para problemas velhos
cara, estou cansado disso tudo, pensei. Tem tanto a se estudar
por aí, as moitas, os animais, a etologia, o comportamento,
e vem esses esquizofrênicos me falar de energia corporal
dai-me paciência (ao menos paz, ao menos ciência)
se soubesse antes, estaria na biologia, etologia comparada,
algo assim.

bem, ai me recordo que há empirismo nesse mundo de dualistas
leio Leminski, misturo com Sidman,
um só poesia, outro mirando o ambiente e relações funcionais

na verdade mesmo só queria ser como as estrelas ou os animais.


26 de julho de 2016

Escangalho do mentecapto


O tempo não volta. Nem as palavras.
O caminho, sempre o mesmo para alguns
sempre distinto para uns tantos.

A vida é uma estupidez
magnífica, simplória em sua complexidade.
Os contratempos, passatempos do perfeito instante
que pretérito se tornará em poucos momentos.

O tempo não volta. (Nem teu sorriso,
gigante teus lábios, gigante teus sonhos,
gigante tua infantilidade. A minha, maior).

O tempo não volta, ainda bem,
o jovem promissor, decrépito velho
no espelho logo se encontrará,
e ficaremos nós a reclamar de tudo?

A vida é uma estupidez
e mais estúpido é aquele
que não tira prazer de algo
que não exige nada dele próprio.
Faça o que bem quer,
mas faça por bem querer.

E te digo, caro leitor,
as ninfas bailam ao redor da árvore
os deuses bebem umas cervejas
o tempo está por brincar com novas rugas
as hienas tiram sarro do que miram.

E já que não possuímos obrigações
(além das que nós mesmos criamos)
e já que não existe essa de céu e inferno
(além dos que nós mesmos criamos)
e já que não nos ficará nada além da morte
à assoprar-nos os fios de cabelos, em momentos inesperados,
pois a vida, a vida é uma estupidez,
vamos rir, rir das desgraças, como hienas,
vamos beber, como os deuses, como deuses,
e tirar prazer, ainda que mínimo prazer,
do que veio e virá.

Isso sim. Isso nos fará melhores.

Ao lamento, a morte.
Aos seres que não se vangloriam por esse imenso nada
Aos seres que acordam de saco cheio, mas
que ficam de pé, lutando contra o próprio cansaço,
Aos seres que insistem e ainda assim são derrotados,
Aos seres que buscam antes o próprio prazer, e depois se possível o alheio,
Aos seres que amam, e que sabem odiar, perdoar e
engolir o próprio orgulho, ainda que imenso,

a esses, a vida,
nesses, há vida.
 

4 de maio de 2016

Coisa poética



Lá fora o nada coisa o inexistente
como o homem coisa o mundo.
Tipo o pássaro que quando coisa
sua coisa, pode voar naquela coisa azul.

Res.

Qualquer coisa pode coisar ou co-coisar
tudo é abundância, dança
a escassez sem vez na coisa humana.
Ai, e essa coisa poética, e o sentir
tão complexa coisa.

Procurar sentidos nas coisas
naquele e naquilo
é coisa que dói,
é coisa sentida de quilo,
dor fora de moda
coisada com muito estilo.

Aqui dentro o tudo coisa o resistente
coisa que nasce, coisa novamente.
Tudo criação dessa coisa Mente.






28 de janeiro de 2016

Verbos soltos

Verbos soltos na página
imagina se aquela estrela
me deixa assim cadente,

e, louco para vê-la
acabo por ficar, doente.

Que homem não quer fugir
de si e beijar a Lua?
Que ser não quer ouvir
pleno silêncio na rua
e saber, por pura misantropia,
que ninguém mais é.

Verbos soltos no caderno,
sou o que sou, se céu
juro que escrevo inferno,
se tão só nas trevas
desenho café e cevas.

Verbos solto na página
falávamos de estrela e algo assim,
e então nos perdemos de novo
sem início; sem meio nem fim.

1 de janeiro de 2016

A galinha ou ovo

Ano novo,
fica a pergunta
sem resposta:
o que veio antes
a galinha
ou o ovo?
a pobreza
ou os diamantes?

veja que beleza:
ano novo
me dissolvo
nas mesmas reflexões banais,

ano novo
tudo segue
igual,
vida
sem sal.

Sempre gostei de limão.

20 de novembro de 2015

Desmaterializando a palavra IV

Na
teo
ria
na
prá
ti
ca
ra,
ou
não
ria
na
da
di
va
a
vi
da
foi
fei
-a
-ta
pa
ra
rir
pa
ra
ir
para
parar

19 de novembro de 2015

Desmaterializando a palavra III

a
mor
te
quer
a
mar
é
vem
ver
men
te
mo
que
a
mar
é
do
me
o



(algumas sílabas devem ser repetidas para a leitura ser interpretada da melhor forma que o leitor queira, ou da forma que ele possa e consiga entender)

8 de novembro de 2015

No fim: SANGUE

um som esquisito:
o mosquito
ecoa o infinito...

vou bater palma:
e retirar
dele a alma...

e se não pegá-lo
logo agora
escutará o estalo


que não demora.

6 de novembro de 2015

Sorriso Sul

Tua alegria
causa alergia
nos que não
escutam
a canção,
e você baila
bem sorridente,
já não te
           cala
o caos em frente.

Pauso;


te admiro
bailarina no asfalto
voo alto
vou ao delírio,
e num só salto
atravesso o rio
Nilo

Tua alegria
magia
margeia no poema.
A que tanta beleza?
a solução no problema.

2 de novembro de 2015

Desmaterializando a palavra II


F
        oi...
a-mor-a
primeira
vista,
espero ela
amadurecer
ou já devo comer?

amora, amora
vi também jabuticaba
mas sei que logo acaba:
devo come-la agora?


Observação: Não culpe o autor pelo seu pensamento...

1 de novembro de 2015

Desmaterializando a palavra

          V                                                                   

            ou        

              a

        cai    r


hai


 -vida na pa:

                                                     lavra cata      ...  vento