9 de agosto de 2015

Imperativo

Toda voz é ordem
um mandado de apreensão
que quem escuta
muitas vezes
só devora a solidão.

8 de agosto de 2015

Flor da Noite

vem, flor da noite, vem
ver as coisas da manhã
as coisas que se escondem
sobre a luz solar, vem.

venga y mire la calle
hablando locuras y dolor
cosas que solamente se encuentran
acá, acá.

Venha, chore celeste
seus raios que banham
o martírio da vida,
fardo obscuro.

7 de agosto de 2015

As razões

Poeta! Ai, poeta,
que drama!

Até rindo
seus lábios
tremem

fantasiosos
incrédulos
felizes

mas
     desen
            canto
 geral

6 de agosto de 2015

pastel de vento

Se não andasse por ai
com a cabeça ao vento
seria tão nulo
quanto a areia no deserto,
seria tão vago
que a vontade de ser
seria palha-seca.

Se não andasse por ai
com os pássaros e folgas
morreria comum,
morreria raso ou cheio
de ser tão nada
tão meio.

Como uma rosa
para uma vaca
que efeito?
devorado como se fosse
doce capim.

5 de agosto de 2015

Flutuar

Tem algo que quer sair
lá de dentro do peito
parece querer voar
qualquer lado, qualquer jeito,
parece cócegas cega
que a poesia nega
gostar.

Tem algo que quer querer
toda coisa que existe
todo nada, todo mundo
todo rei e vagabundo
quer ser
superfície e fundo
alma e corpo.

Flutuar
ser então
luar.

4 de agosto de 2015

Semblante escrito

Meu semblante
riu daquele amanhã
riu daquele ontem
riu daquele verso.

Passou
e ele continuou rindo
indo na gargalhada,
leu alguns autores
que estavam solitários com suas paixões.

E de repente, balançou.
Numa pergunta boba:
Qual tipo quando escrevo
não sou?

Assim foi, e não foi nada,
meu semblante segue
por mais que negue as notas
negras, obscuras.

De beleza sem fim.

3 de agosto de 2015

No olhar do olhar

Rosto morto
que olho na cama
a vontade de viver
no reflexo do espelho,
não é drama
não olhe torto
nem queira ver
meu único conselho.

Rosto vivo
que a cama observa
a morte tão viva
que o alarme desperta,
tão persuasivo
mas, se enerva,
expressão compassiva
escrevendo errado
a coisa certa.

2 de agosto de 2015

Prosear-te, prosa é arte.

Quero o silêncio
quando o tenho
pareço fugir.

Não existe verso
que não procure rima
em outro verso.

Mas, no entanto, que prosa
deve conversar com a minha
se ela quer que quer
ficar sozinha?

1 de agosto de 2015

Meu maior segredo

Direi, mas não conte a ninguém

é segredo, é secreto, é obscuro

não conte a ninguém, eu juro:


eu que era cheio

de palavras estou sem.