15 de novembro de 2017
Muito obrigado I
O "muito obrigado" tem valor egoísta
ou não tem valor algum.
Numa loja de fast food qualquer, digo boa noite,
como quem nada diz;
digo, por favor, como quem nada sente;
digo, muito obrigado, olhando nos olhos,
sem esperar o menor sinal de vida
apenas um - de nada, fique a vontade.
Vontade.
Numa loja de fast food, o desejo
é imediato.
10 de novembro de 2017
museu dos meus p (r ) o (bl) emas
"te olho, sei que por instinto
me olha, tem algo ali!
Selvagem, gigante tu, guria,
tuas minuciosidades e detalhes
teus lábios,
faz crescer
a intenção
e a tensão
o tesão
a atenção
no segredo dos teus olhos,
como aquele filme do Darín,
devoro-te, devoto-te, decoto-te, decoro-te, coro-te;
devoro-te!"
9 de novembro de 2017
Quinta feira-di-versá
poesia
de
pendência
pingo d'água
lembra verso
nuvem passa
lembra verso
a Paula falando de reforçamento e frequência
com jeitinho francês de ser
lembra verso.
ex
cedo
na tarde da madruga
o que se deve pensar
e não dorme o organismo.
lá fora, coqueiros
se reconfortam ao vento
mexem, mexem, mexem
Lembra verso.
Mas não tem floresta
só coqueiros.
Ainda lembra verso,
mexem, mexem, mexem.
7 de novembro de 2017
Introdução ao contexto
deixai o enigma do entendimento para os que leem
os escritores só rabiscam e deturpam versos
não são coerentes, nem querem assim; a maestria
das frases de efeito que o diga, o verbo arremessado
cante aqui o que tendo dizer.
deixai os sonetos e a contagem de sílabas para gramáticos
os que inventam ordem no caos;
os escritores são dementes, clementes por imediatez
ficam a brincar com algo tão seco de vida.
deixai os questionamentos para os epistemólogos,
as análises de conflitos internos inventados para os psicanalistas
as lamúrias para o funcionário público,
as dores da profissão para os docentes doces inocentes,
a poesia é, somente e para, controle.
Sim! Pensais, tolo, que as estrofes não são para controlar,
desviar opiniões, convencer-lhes?
Que o objetivo tem o escritor que não o de manipular
suaves olhares? Para que os efeitos, feitos e enfeites?
Enquanto comentam a política, enquanto discutem o clima,
enquanto analisam variáveis, enquanto sustentam hipóteses,
enquanto defecam, dormem, riem, choram, sufocam, falam;
lá está o escritor! Lá está, a lhes observar, dominar, dando-te forma,
manejando com controlada aleatoriedade as palavras que fincarão
a estaca versada no teu comportamento.
E se perguntarão o significado daquele poema...
6 de novembro de 2017
correnteza
sensibilidade
pra olhar ao redor
e ignorar
5 de novembro de 2017
clichê che
Alguns amigos meus
acreditam em deus
Outros, acreditem,
creem na democracia
gargalhadas.
4 de novembro de 2017
Verte desde afuera (o algo así)
sensação estranha
parece tudo tão bem
mesmo com as pessoas
mesmo com as palavras
desabando,
indiferença, talvez;
tô numa condição de ócio
com tanta tarefa pra fazê
e fico cá, escrevinhando
caminhando versos
pisando rimas e cerveja
comendo rúcula, tomate-cereja.
sensação estranha
deve ser a paciência e o silêncio
alimentada pelo xadrez
...
foda é que em toda guerra
tem quem ignore a bandeira de paz
foda é que para os outros
é difícil compreender a indiferença
com o mercado de peixes
...
sensación rara;
es lo que peor llevo
la sensación de estar fuera
de lugar.
Como si estuviera
dentro de un video juego
...
3 de novembro de 2017
meta -linguagem
preciso é
reinventar a roda
todos os dias
pra não morrer
quadrado
quadrado quadrado
quadrado quadrado
quadrado quadrado
quadrado
tô, mate!
Tô mate hoje
meio xeque-mate
meio sem crédito
com o bispo
com a rainha
com o rei
tô, mate
daqueles cereja
pequeno
que tem sabor
de terra
feito por peão
tô mate
mais pra chimarrão
que pra café
coisa do clima né
interior de são paulo quando tem nuvem
é pó pra todo lado
ficar o tempo todo na defensiva
pra proteger um reinado que não é meu?
tô, mate, tô, com preguiça de xeque-mate
com preguiça de cozinhar.
Assinar:
Postagens (Atom)