16 de agosto de 2015

Canção para uma noite de Sol

Música: Nuvem
Banda: Engenheiros do Hawaii
Álbum: Minuano (pouco conhecido, de 1997, puta álbum!)
Para ser escutada: https://www.youtube.com/watch?v=g2EmNp7SfWo

Ode aos trovadores!

Ah! Que Cupido infeliz seja
por tua eterna alegria
metamorfoseada em tristeza!

Que suas preces pereçam no âmago da solidão,
magoaste com tua flecha, meu desolado coração!

Trazei Ceres e Afrodite
recusarei firme tuas risadas.
Dai-me as ninfas dos campos
e serei pior que Erisichton!

Oh poderoso Pã!
Me abençoai com vossa loucura,
Dai-me a mente sã
nunca anestesiada pelos amores
enraizada somente da cura
de ser um homem comum.

Seguindo sempre a constelação de Baco
hei de erguer-me e navegar tranquilamente
esse navio, essa nau, esse barco.

Ah! Como queria não ter tido asas
e, egoísta, voar risonho todos os dias,
no ápice cair, tombo mortal.
Mas, sequer tive Dédalo para aconselhar-me,
não tive Atlas para manter-me convicto,
não, apenas Eros e seu ego juvenil.

Admirável mundo novo

O ignorante
que se entenda
com o ínscio.

Radiante
se prenda
no seu vício.

Desde o início
direi:
cada um é o que quer ser
aprende quem quer aprender.

15 de agosto de 2015

Dinamite

Quero explodir a dinamite
no ego do universo,
quero eliminar o que existe
deixar nada de verso,
nem pequeno que seja
até que ninguém veja
nadica de nada.

Quero, querer basta
não preciso satisfazer
tudo o que o querer alastra.

Quero e quem não quer
dizer o que a boca quiser
ser o que der e vier
e se for nada, perfeito!
É ai que levanto e deito
no ócio contemplativo.

14 de agosto de 2015

Olhos negros

A que olhos tantos rostos
que não me olham
e se me olham
não enxergam nada
nem na rosa ao lado
nem no livro aberto.

A que olhos tantos nadas
tão cheios de si mesmos,
meu ego tão inflado
tão cego e romanesco.

A que olho tantos olhos
que na avenida se perdem
e perdem-se esbugalhados
saltando pela janela do carro.

A que olho tantos espantos
e prantos que movem palavras,
o silêncio dos medrosos
a que olho não sei.

13 de agosto de 2015

A par da teoria

Ai de mim
se tudo que se escreve
terminar assim;
a que serve
deixar apenas escrito
tornaria religião
esse meu canhoto rito.

Escritor não é isso
escrever e ser omisso
(não que eu seja de fato)
tem que ser na prática
mesmo que torta.

Ai de mim
se cravo rosa
plantando jasmim.

Ai de mim, e de vocês
leitores cansados
de ruminações.

12 de agosto de 2015

Inocência II

Parece só o que se mostra

mas não é assim

que faz pérola a ostra...

11 de agosto de 2015

Inocência

Na face oculta da inocência

quem olhar se surpreende

com o tanto que vende

essa antiga ciência.


10 de agosto de 2015

Imperativo II

Quando falam representam

aquilo que querem impor,

quando calam se ausentam

deflora a fera da flor.