Nós, que saciamos a sede
com doses eternas de loucura.
A ressaca?
essa tola normalidade.
24 de novembro de 2015
23 de novembro de 2015
Cada palavra
Meu bem, quantos poemas
quanto verbo era necessário
para calar o silêncio
e fazê-lo tagarelar as dores,
as nossas dores?
E enquanto lê,
se pergunta: e por que não
se entregar ao desejo intenso
que massacra o sentimento
que outrora imenso?
quanto verbo era necessário
para calar o silêncio
e fazê-lo tagarelar as dores,
as nossas dores?
E enquanto lê,
se pergunta: e por que não
se entregar ao desejo intenso
que massacra o sentimento
que outrora imenso?
22 de novembro de 2015
Eu que deveria ter calado e deixado acontecer...
Minhas palavras dormiram
preocupadas e em agonia
pelos poemas que não quis mais escrever.
Me sufocaram
a noite toda
para tomar nota dos pensamentos
tristes, tristes, tão tristes.
Minhas palavras ficaram
em silêncio me consumindo,
me pareceu absurdo qualquer
verso que eu pudesse expor.
E a dor que sinto, e o medo
e este poema tão sincero
que quer fugir dessa alma infeliz
sem expressão humana. Ou,
sem expressão de gozo pela vida
de zelo pelo amanhã, não
isso não.
Minhas palavras:
não sei ao certo o que é o certo
ou o que quero e não quero
tudo é dor
e nos meus pensamentos
o mundo inteiro se apavora com algo
que nem sequer existe:
o depois, o tempo, o futuro,
e se o presente já se faz tão obscuro;
as palavras, essas sim se magoaram
e a prova disso é o silêncio
e do silêncio os olhos abertos
não queriam (não querem) fechar.
Uma chance mais.
Não pude me dar, como não?
Outra chance?
Ponto de interrogação que se afirma
e morre, pássaro triste.
preocupadas e em agonia
pelos poemas que não quis mais escrever.
Me sufocaram
a noite toda
para tomar nota dos pensamentos
tristes, tristes, tão tristes.
Minhas palavras ficaram
em silêncio me consumindo,
me pareceu absurdo qualquer
verso que eu pudesse expor.
E a dor que sinto, e o medo
e este poema tão sincero
que quer fugir dessa alma infeliz
sem expressão humana. Ou,
sem expressão de gozo pela vida
de zelo pelo amanhã, não
isso não.
Minhas palavras:
não sei ao certo o que é o certo
ou o que quero e não quero
tudo é dor
e nos meus pensamentos
o mundo inteiro se apavora com algo
que nem sequer existe:
o depois, o tempo, o futuro,
e se o presente já se faz tão obscuro;
as palavras, essas sim se magoaram
e a prova disso é o silêncio
e do silêncio os olhos abertos
não queriam (não querem) fechar.
Uma chance mais.
Não pude me dar, como não?
Outra chance?
Ponto de interrogação que se afirma
e morre, pássaro triste.
21 de novembro de 2015
Ich hasse weil ich nicht lieben kann
"Odeio porque não posso amar"
todas as palavras do dicionário
são doces mas são o contrário
recalcam as dores agudas do luar,
quasi-besoin, na margem do pesadelo
todos os demônios brincam de ciranda
e tocam harpa, flauta e violoncelo:
a minha alma sempre é a varanda.
Odeio porque não posso amar.
A neblina atormenta meu cemitério
e quando no espírito o mistério
a mente começa a dispersar.
Quando é a angústia que se perpetua
os rios se banham e aos poucos secam
a sede voraz que na poesia atua.
Odeio porque agora, não quero amar,
e já próximo o navio, não do cais
mas próximo do caos, belo porto.
E do inverno. Que inverno, amor?
Ich hasse weil ich nicht lieben kann,
verachte dich und frag mich warum du so bist.
20 de novembro de 2015
Desmaterializando a palavra IV
Na
teo
ria
na
prá
ti
ca
ra,
ou
não
ria
na
da
di
va
a
vi
da
foi
fei
-a
-ta
pa
ra
rir
pa
ra
ir
para
parar
teo
ria
na
prá
ti
ca
ra,
ou
não
ria
na
da
di
va
a
vi
da
foi
fei
-a
-ta
pa
ra
rir
pa
ra
ir
para
parar
19 de novembro de 2015
Desmaterializando a palavra III
a
mor
te
quer
a
mar
é
vem
ver
só
men
te
mo
que
a
mar
é
do
me
o
(algumas sílabas devem ser repetidas para a leitura ser interpretada da melhor forma que o leitor queira, ou da forma que ele possa e consiga entender)
18 de novembro de 2015
Haicais temporais II
Alma, meu outono,
chuva com tom
na janela, o sono.
Cai outro pingo
parado me molho
olho, e não ligo.
Vem logo o Sol
chatear, sustenir
qualquer bemol.
17 de novembro de 2015
Haicais temporais I
Chuva não molha
o térreo do prédio:
enterro o tédio.
¡Venga, Noche!
El día no, no
No-che.
o térreo do prédio:
enterro o tédio.
¡Venga, Noche!
El día no, no
No-che.
16 de novembro de 2015
Sentido proibido II
Sentido, obrigatório e inevitável
não ter nenhum sentido,
antes eu tivesse tido
um querer mais alcançável.
Mas fui querer muito
sentir o sentido do intuito;
eis o sentido proibido:
não inibir a líbido.
não ter nenhum sentido,
antes eu tivesse tido
um querer mais alcançável.
Mas fui querer muito
sentir o sentido do intuito;
eis o sentido proibido:
não inibir a líbido.
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