O poeta gritou aos surdos:
"-A guerra, sem dúvida,
vai acabar em breve..."
e interrompido por palmas de alegria
soluços de felicidade e histeria
calou no meio a poesia,
respirou,
e em voz alta
exclamou:
"...com todos nós"
ninguém deu-lhe atenção.
Pois assim somos
escutamos apenas o que queremos.
17 de dezembro de 2015
16 de dezembro de 2015
Manifesto do desencanto II
Sobre teu amor
as palavras cantaram
uma, duas, três, mil vezes
se não me engano.
E, sei bem o valor,
dos versos que ficaram
uma, duas, três, mil vezes
no meu sentir profano.
As madrugadas sonharam
sonhos que o dia levou,
mas alguns versos ficaram
para o pássaro, que longe
longe, longe de ti, voou.
Ledo engano crer no sempre
crer na imortalidade da rima.
Toda vez dito, que me lembre,
acaba sendo fim, não obra-prima.
Sobre teu amor
grato estou e estive,
senti que sentir por si só
não basta,
e eis que estás livre
teu canto é do vento
teu riso do solo,
e eis aqui meu lamento,
como J.L.B.,
solo y conmigo...
as palavras cantaram
uma, duas, três, mil vezes
se não me engano.
E, sei bem o valor,
dos versos que ficaram
uma, duas, três, mil vezes
no meu sentir profano.
As madrugadas sonharam
sonhos que o dia levou,
mas alguns versos ficaram
para o pássaro, que longe
longe, longe de ti, voou.
Ledo engano crer no sempre
crer na imortalidade da rima.
Toda vez dito, que me lembre,
acaba sendo fim, não obra-prima.
Sobre teu amor
grato estou e estive,
senti que sentir por si só
não basta,
e eis que estás livre
teu canto é do vento
teu riso do solo,
e eis aqui meu lamento,
como J.L.B.,
solo y conmigo...
Manifesto do desencanto I
Não é breve o interesse pelo teu sorriso
nem a saudade que sinto dos teus lábios,
menos ainda o que está além de tudo isso
e além dos atos, mesmo que não sábios.
Não é complexo, até por demais simples
que os versos que escrevo dizem o suficiente
e dizem tudo e nada de uma única vez
o que poderia ter existido, o que ficou ausente.
Venha ver o Insular, essa ilha em que vivo
que não permitiu que fosse, que não desejou
que eu fosse simplesmente isso que sou,
enquanto eu batia palmas para tuas rimas.
Ai, e dos olhos eu cantaria rios,
e do pensamento eu criaria novas florestas,
mas, os nossos imensos vazios
viviam olhando da porta as frestas,
a alegria estampada nos rostos alheios.
E você, sempre com medo do que os outros pensariam
enquanto eu, eu via que todos não se importavam, riam
da importância escancarada que lhe davam; pelo fato
de se importar mais com o que diriam por ai, farto
estive da pouca atenção que me era verdadeiramente dada.
E de braços abertos evitei o pouco e abracei o nada, o nada.
Mulher, estive a beira da loucura
mesmo que não lhe dissesse.
E então, procurei qualquer cura
em outro canto, outra prece
numa segunda-feira blues
o céu negro banha o oceano.
Triste, mas em paz, triste
com o que não mais existe.
A mudança. Essa sim é permanente.
Como um amigo certa vez cantou ao ar,
"O nunca, às vezes, falha;
O sempre, sempre".
nem a saudade que sinto dos teus lábios,
menos ainda o que está além de tudo isso
e além dos atos, mesmo que não sábios.
Não é complexo, até por demais simples
que os versos que escrevo dizem o suficiente
e dizem tudo e nada de uma única vez
o que poderia ter existido, o que ficou ausente.
Venha ver o Insular, essa ilha em que vivo
que não permitiu que fosse, que não desejou
que eu fosse simplesmente isso que sou,
enquanto eu batia palmas para tuas rimas.
Ai, e dos olhos eu cantaria rios,
e do pensamento eu criaria novas florestas,
mas, os nossos imensos vazios
viviam olhando da porta as frestas,
a alegria estampada nos rostos alheios.
E você, sempre com medo do que os outros pensariam
enquanto eu, eu via que todos não se importavam, riam
da importância escancarada que lhe davam; pelo fato
de se importar mais com o que diriam por ai, farto
estive da pouca atenção que me era verdadeiramente dada.
E de braços abertos evitei o pouco e abracei o nada, o nada.
Mulher, estive a beira da loucura
mesmo que não lhe dissesse.
E então, procurei qualquer cura
em outro canto, outra prece
numa segunda-feira blues
o céu negro banha o oceano.
Triste, mas em paz, triste
com o que não mais existe.
A mudança. Essa sim é permanente.
Como um amigo certa vez cantou ao ar,
"O nunca, às vezes, falha;
O sempre, sempre".
15 de dezembro de 2015
Um amasso, um beijaço...
Fui beijar a Lua
encontrei-te no lado oculto,
o beijo
na boca tua
me veio quente.
Surto
de Estrela cadente,
tudo o que desejo
está
ausente?
encontrei-te no lado oculto,
o beijo
na boca tua
me veio quente.
Surto
de Estrela cadente,
tudo o que desejo
está
ausente?
13 de dezembro de 2015
Vidros
O pior cenário possível
seria de longe jardim de flores
para os atormentados pelas palavras,
seria paz, luz no fim do túnel,
mas no fundo, tristeza.
Há coisa mais imbecil
que sentir prazer
pelo sofrimento que as palavras causam?
No fundo, todos nós bebemos
do sadismo, da auto-compaixão,
e do masoquismo.
Tragédia no cálice da ironia,
esse é o método, eis
a estúpida sede de razão.
seria de longe jardim de flores
para os atormentados pelas palavras,
seria paz, luz no fim do túnel,
mas no fundo, tristeza.
Há coisa mais imbecil
que sentir prazer
pelo sofrimento que as palavras causam?
No fundo, todos nós bebemos
do sadismo, da auto-compaixão,
e do masoquismo.
Tragédia no cálice da ironia,
esse é o método, eis
a estúpida sede de razão.
12 de dezembro de 2015
Estranhamento
Palavras vagas
vagam
na linha errada,
qual linha certa
acerta
o nada?
triste é
quando estamos
vazios
por conta
do muito.
10 de dezembro de 2015
Desconstrução. Não sei se minha ou da poesia.
E se percebe, insight
que a vida nos permite:
superficial tudo
que até agora existe,
e lá no fundo,
até minha condenada alma
apenas, com muita calma,
se revira de inferno em inferno
procurando um poema, só um poema
que valha a pena no caderno.
Loucura absoluta
viver como se a vida
fosse eterna luta.
Sem saber contra quem
e se alguém além de si mesmo,
eis que tudo que vem
parece estar assim, a esmo.
Meu caro,
as vezes
tenho a impressão
de que algum deus
de mim
tira sarro.
que a vida nos permite:
superficial tudo
que até agora existe,
e lá no fundo,
até minha condenada alma
apenas, com muita calma,
se revira de inferno em inferno
procurando um poema, só um poema
que valha a pena no caderno.
Loucura absoluta
viver como se a vida
fosse eterna luta.
Sem saber contra quem
e se alguém além de si mesmo,
eis que tudo que vem
parece estar assim, a esmo.
Meu caro,
as vezes
tenho a impressão
de que algum deus
de mim
tira sarro.
Canção natalina II
Natal
pisca-pisca.
Da Lua
odalisca.
Brilho
que ofusca.
Coisa
bem intrusa,
sem charme
sem naturalidade
sem paz.
pisca-pisca.
Da Lua
odalisca.
Brilho
que ofusca.
Coisa
bem intrusa,
sem charme
sem naturalidade
sem paz.
9 de dezembro de 2015
Canção natalina I
Os enfeites de natal
nunca estiveram pendurados nas árvores natalinas,
os fogos de artifícios
nunca estiveram brilhando naquele belo céu.
Os enfeites de natal
são os sorrisos nas faces das branquelas meninas,
que em seus ofícios
se banham de maquiagem e usam o véu
para fugir do rosto, da verdade.
Os presentes de natal
são ausências dos outros
trezentos e sessenta e quatro dias.
nunca estiveram pendurados nas árvores natalinas,
os fogos de artifícios
nunca estiveram brilhando naquele belo céu.
Os enfeites de natal
são os sorrisos nas faces das branquelas meninas,
que em seus ofícios
se banham de maquiagem e usam o véu
para fugir do rosto, da verdade.
Os presentes de natal
são ausências dos outros
trezentos e sessenta e quatro dias.
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