Fujo dos teus olhos
mas quero encontrá-los
afogo meus pensamentos
em desejos e regalos.
Algo de entrega sem afeto
misto de abstrato e concreto
ato de poesia, sem rima,
rabisco apressado: obra-prima.
9 de setembro de 2015
8 de setembro de 2015
Uma valsa para uma dama
Não é tua roupa que olho
não é tua maquiagem que observo
não é teu sapato que me atrai
menos ainda tua vestimenta e teus apetrechos,
não, não são as unhas pintadas nem o liso cabelo
que de fato é crespo.
Quedo parado mirando tudo isso, é claro
mas não me importa tanto assim.
Não é, por definitivo, tua delicadeza
ou tua brutalidade, tua voz ou teu
perfume de primavera que o homem destruiu.
Menos ainda teus dizeres de amor ou teu riso
tua pele, teus planos para o amanhã, teus
ideais e ideias demais.
Não é na tua roupa que olho, não.
É teu silêncio que escuto vagarosamente
teu pensamento que subtraio da tua tensão
e tesão.
É teu rosto cru, sem outra pele por cima
é no teu pé de bailarina, de lua crescente.
É na tua pouca nudez. Para ser franco, vaga.
É nos espaços vazios e desorganizados que me prendo.
É na tua mão, no teu cabelo embaraçado e ainda molhado.
É, por definitivo, no momento, nos planos que não dão tempo de serem planos.
É nos teus sentimentos avassaladores.
É na tua impaciência e explosão.
É no teu pouco silêncio e do silêncio a tua atenção.
Amo e desejo essas coisas, que vão além de coisas
que vão além da força das palavras,
amo teu jeito desconcertado frente as diferenças,
amo teu jeito desconcertado frente a frente, no beijo.
O amor sem o ódio é falso. Se ama mais quando, do mesmo tanto, se quer fugir.
Fugir da insanidade dos outros.
Fugir das loucuras dessa maldita normalidade.
Fugir da fuga, ir de encontro ao instante.
É nisso que paira minha reta,
nas tuas curvas, na tua carne
no teu espírito de mulher que quer
tudo, e quer, lá no fundo, se entregar
aos desejos e prazeres que evita.
7 de setembro de 2015
A teia da aranha
Na teia da aranha
sofre o mosquito
com qualquer esperança.
Todo se arranha
mas já estava escrito
na vida se dança.
Ela vem e devora
na teia da aranha
o medo te cora.
Teias por todas as partes
vangloriam-se os homens
por suas obras e artes,
a vida é como a aranha
ela não, faz por manha
faz por que quer fazer.
sofre o mosquito
com qualquer esperança.
Todo se arranha
mas já estava escrito
na vida se dança.
Ela vem e devora
na teia da aranha
o medo te cora.
Teias por todas as partes
vangloriam-se os homens
por suas obras e artes,
a vida é como a aranha
ela não, faz por manha
faz por que quer fazer.
6 de setembro de 2015
Meu personagem e suas indefinições
Escrevo poesias
pois sou um mercenário
sou um idiota
sou ridículo e otário,
o que me importa
se vivo que nem
uma porta,
um zé ninguém?
Escrevo poesias
e isso é tudo
meu todo
meu mudo mundo
as flores macias
da primavera
febril,
da noite que não vem
do dia que não vai
tudo isso, tudo sem
contar o haicai,
Escrevo poesias
as luas escuras
que iluminam o céu,
não quero curas
quero brincar
nesse mero carrossel,
escutar quem pouco fala
falar para quem pouco escuta
dizer o que me entela
dizer o que quase me surta,
sou o que escrevo
não o que me atrevo
a sentir e não-sentir.
Escrevo poesias
e a dor é ainda maior
e a vida é estranha
acaba tão rápido
e são tantas as tosquices
as esquisitices.
Me sinto pálido
me sinto ávido
por vida, por desejar-te
por desej-arte.
Escrevo poesias
personagens e alteregos
coisas que tanto faz
coisa que trazem paz
ao menos para quem quer.
Escrevo poesias
é essa a vida
que quero
refrão de bolero
simples
chimarrão e café.
Escrevo poesias
e ainda não conheço bem o silêncio
e ainda não conheço bem as palavras,
e ainda não me conheço bem
e ainda não, e talvez nunca mesmo.
Sei que acaba, sei que não quero viver o mesmo
sentir o mesmo
saber o mesmo
ver o mesmo
ser o mesmo
esperar o mesmo
entregar-me ao mesmo
cantarolar o mesmo
rir do mesmo
sempre mais do mesmo.
Escrevo poesias
e elas me escrevem,
tenho as mãos frias
pois para isso servem.
Escrevo haicai
enquanto
a chuva cai (ou vai).
pois sou um mercenário
sou um idiota
sou ridículo e otário,
o que me importa
se vivo que nem
uma porta,
um zé ninguém?
Escrevo poesias
e isso é tudo
meu todo
meu mudo mundo
as flores macias
da primavera
febril,
da noite que não vem
do dia que não vai
tudo isso, tudo sem
contar o haicai,
Escrevo poesias
as luas escuras
que iluminam o céu,
não quero curas
quero brincar
nesse mero carrossel,
escutar quem pouco fala
falar para quem pouco escuta
dizer o que me entela
dizer o que quase me surta,
sou o que escrevo
não o que me atrevo
a sentir e não-sentir.
Escrevo poesias
e a dor é ainda maior
e a vida é estranha
acaba tão rápido
e são tantas as tosquices
as esquisitices.
Me sinto pálido
me sinto ávido
por vida, por desejar-te
por desej-arte.
Escrevo poesias
personagens e alteregos
coisas que tanto faz
coisa que trazem paz
ao menos para quem quer.
Escrevo poesias
é essa a vida
que quero
refrão de bolero
simples
chimarrão e café.
Escrevo poesias
e ainda não conheço bem o silêncio
e ainda não conheço bem as palavras,
e ainda não me conheço bem
e ainda não, e talvez nunca mesmo.
Sei que acaba, sei que não quero viver o mesmo
sentir o mesmo
saber o mesmo
ver o mesmo
ser o mesmo
esperar o mesmo
entregar-me ao mesmo
cantarolar o mesmo
rir do mesmo
sempre mais do mesmo.
Escrevo poesias
e elas me escrevem,
tenho as mãos frias
pois para isso servem.
Escrevo haicai
enquanto
a chuva cai (ou vai).
5 de setembro de 2015
Jornais e medos
Jornais impressos circulam pela cidade
uma notícia urgente a cada momento
um momento a cada notícia urgente
nenhuma diferença, tudo de momento.
O café está posto, pronto para ser devorado
ainda quente pelas almas apressadas,
o ônibus está para passar, passou
e o cidadão pragueja com o condutor
com o café, com os deuses, que riem, riem,
procura-se emprego, procura-se doméstica,
procura-se o que não se procura mais,
não se contrata, estamos em crise,
crise de identidade, crise de bode expiatório,
crise salarial e humana, crise de crase
crise do quase, do grave, do agrave, síncrise
diácrise da crise, crise até na psicanálise.
Epícrise.
Reprise
da crise.
A cidade não para, a cidade faz do ontem o hoje
e do hoje o amanhã, que será sempre.
Que será sempre e que não será nada além de sonho.
Utopia do depois. O tempo é fetiche.
Tudo é urgente, urgente até apertando (-lhe) o pescoço
urgente tanto quando (não sei) inimaginável, ridículo.
Um novo dia.
Jornais impressos circulam pela cidade
folhas insignificantes que significam demais
esse nada indemonstrável, impalpável.
Crise
urgente, notícia.
a verdade
é só mais uma
mentira propícia.
uma notícia urgente a cada momento
um momento a cada notícia urgente
nenhuma diferença, tudo de momento.
O café está posto, pronto para ser devorado
ainda quente pelas almas apressadas,
o ônibus está para passar, passou
e o cidadão pragueja com o condutor
com o café, com os deuses, que riem, riem,
procura-se emprego, procura-se doméstica,
procura-se o que não se procura mais,
não se contrata, estamos em crise,
crise de identidade, crise de bode expiatório,
crise salarial e humana, crise de crase
crise do quase, do grave, do agrave, síncrise
diácrise da crise, crise até na psicanálise.
Epícrise.
Reprise
da crise.
A cidade não para, a cidade faz do ontem o hoje
e do hoje o amanhã, que será sempre.
Que será sempre e que não será nada além de sonho.
Utopia do depois. O tempo é fetiche.
Tudo é urgente, urgente até apertando (-lhe) o pescoço
urgente tanto quando (não sei) inimaginável, ridículo.
Um novo dia.
Jornais impressos circulam pela cidade
folhas insignificantes que significam demais
esse nada indemonstrável, impalpável.
Crise
urgente, notícia.
a verdade
é só mais uma
mentira propícia.
4 de setembro de 2015
Tudo o quanto deseja ser VI
poesia clandestina
presa no desejo
no olhar da menina,
poesia no olho
poesia na face
a rima de molho
completo disfarce,
poeta pensando
poesia sem pressa
virá quando?
Será que interessa?
presa no desejo
no olhar da menina,
poesia no olho
poesia na face
a rima de molho
completo disfarce,
poeta pensando
poesia sem pressa
virá quando?
Será que interessa?
3 de setembro de 2015
Tudo o quanto deseja ser V
Poesia metamorfose
que o verbo cale
ou o verbo prose.
Poesia já metamorfoseada
quando doma o todo
quando dança no nada.
Poesia eco eco
eco tão surdo
que quase perco,
é de dar um treco
como borracho
que para sem macho
tem que entornar o caneco.
que o verbo cale
ou o verbo prose.
Poesia já metamorfoseada
quando doma o todo
quando dança no nada.
Poesia eco eco
eco tão surdo
que quase perco,
é de dar um treco
como borracho
que para sem macho
tem que entornar o caneco.
2 de setembro de 2015
Tudo o quanto deseja ser IV
Poesia presa na cabeça
é coisa que poeta algum
de forma alguma esqueça.
Poesia na mente
é obra que deixa-nos
profundo e ausente.
Poesia no caderno
rabisca que rabisca
encontrando o inferno.
Poesia não concebida
sem dádiva ou dúvida
é coisa mais linda.
Poesia, poesia
há de haver
pedra macia?
tanto bate até que fura
só assim a desejada cura.
é coisa que poeta algum
de forma alguma esqueça.
Poesia na mente
é obra que deixa-nos
profundo e ausente.
Poesia no caderno
rabisca que rabisca
encontrando o inferno.
Poesia não concebida
sem dádiva ou dúvida
é coisa mais linda.
Poesia, poesia
há de haver
pedra macia?
tanto bate até que fura
só assim a desejada cura.
1 de setembro de 2015
Tudo o quanto deseja ser III
Poesia musa celeste
da nudez que seu
corpo se reveste;
queria que alguém visse
tamanha normalidade
na simples esquisitice.
Oh poesia na gaveta
quem em ato te cria
merece viver na sarjeta?
Oh humano não ria,
se morrem os poetas
morre todo erotismo, amor.
Poesia celeste musa
que insano completo
logo a ti acusa
de transformar nuvem
em tijolo e concreto?
da nudez que seu
corpo se reveste;
queria que alguém visse
tamanha normalidade
na simples esquisitice.
Oh poesia na gaveta
quem em ato te cria
merece viver na sarjeta?
Oh humano não ria,
se morrem os poetas
morre todo erotismo, amor.
Poesia celeste musa
que insano completo
logo a ti acusa
de transformar nuvem
em tijolo e concreto?
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