17 de setembro de 2015

Gaita, o sopro

Gaita.
O frio da alma,
música de fundo.

Alguma coisa oriental,
o incenso de madeira queima.
Lá fora um novo fim do mundo.

Mas não me importa qual.

16 de setembro de 2015

As mentiras da Arte II

Cada rima
combinação
mentira-prima
da ficção:

a realidade mista à mentira
o amor complexado à ira.

O público delira!!!

até hoje a verdade
se baseou na mentira,
ídolos diversos versos
imersos em oceanos do ego.

Se alguém disser que é falso
testemunho,
em cada rima, nego.

15 de setembro de 2015

As mentiras da Arte I

Boçal que suspira
dizendo que a arte
não mente,

não há mentira
no estandarte
de cada lente,

a gente sente
o sentir não é preciso
nada além disso (?)

Não existe verdade plena
nem mito completo
é de dar até pena
em quem fixa o certo.

O mundo em si se constrói
mas logo, em si, se corrói.

14 de setembro de 2015

Há, sempre haverá.

Há quem veja o céu
sobre as mesmas estrelas
há quem veja as estrelas
sobre o mesmo céu,
há quem não queira vê-las
há quem mire ao léu.
Há quem acenda velas
e há quem apague a luz,
quem se debruce nas janelas
e ao ócio faça jus.

Há. Sempre um romance
para ser escrito torto
sempre um novo transe
no infinito solto.


o horizonte eterno
da margem do caderno.

13 de setembro de 2015

Amar-elo

Entre tantos rostos
a secura da natureza
faz surgir os desgostos
ressaltando a beleza
da dúvida e do medo.

Não se esconde em segredo:
todos sabemos a dor
o cheiro do embriagado,
a pinga e o rancor
faz esquecer e recordar
o amor que estava ao lado.

Quando a paixão acaba
não se acaba só,
ela estrangula, dá um nó,
deixa-nos louco, fora do eixo,
natural que em completo desleixo
que dali até outro amor
ou até não mais.

Quando se rompe o elo
nem um Sol
queda ainda amarelo.

Entre tantos rostos
alegres e soltos
tristes e presos
indiferente:
os que já amaram
não sairão ilesos.

12 de setembro de 2015

Haicai na mira

Mirando de soslaio
balança que balança
caindo no balaio,

mirando de viés
fala, no entanto,
beijará os pés,

mirando bem direto
baterá mole cara
no duro concreto,

mire profundamente
mas não se ire
com toda essa gente,

veja além:
ao dizer de
saiba dizer quem.

11 de setembro de 2015

Acento-péia que perdeu até o acento...

Penso e repenso
                                    fico tenso
denso de medo
                                  da ideia,

Será verdade
                              não ter
cem pés
                                                              a centopeia?

10 de setembro de 2015

Prosélito

Nunca serei
prosélito.
Se quer esse
préstito,
aceite as coisas
como são,
não venha
com prosa
com crença
com sermão.

Minha fé
é minha,
de mais ninguém.
A falta dela, ainda mais.

Dualidade que se una

Ver
o que ninguém viu
sentir
o valor do vazio.

Saber
o que não se sabe
por
onde já não cabe.

As nuvens transam
imagens no céu
as abelhas zanzam
um novo mel.

Desejo
não desejar
todo livro
que vejo.