8 de outubro de 2016

Os deuses e a linguagem


Os homens, aos poucos, enterram seus deuses.

Outros homens, aos muitos, renomeiam suas divindades.

Os deuses copulam na linguagem, e brincam de reinvenção.
E surge o deus Liberdade, e surge o deus Livre-arbítrio,
e surgem deuses, o deus Energia, o deus Personalidade,
e do Deus que Nietzsche matou outros dois novos Deuses:
o Deus que chamamos "Mente" e o Deus "Energia".
Todos esses deuses possuem função na sociedade.

Mas, aos poucos, os homens enterram seus deuses,
aos poucos, aos poucos...
pois temem que, não havendo deuses para enterrar
não possam viver sem eles, e assim tenham
que enterrar seus próprios medos e viverem
sem suas ornamentais superstições.

Pois temem que, não havendo o que temer
temam a ausência do oculto.

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