31 de dezembro de 2016

Co-lapso


O relógio gira. Tic-Tac-Tic-Tac.
A geladeira, um pouco antiga, barulho faz.
O ventilador ligado, por ocasião do calor infernal,
conversa seu som com as paredes que falam.
Outro habitante deste vasto universo, e pequeno demais, ao meu gosto,
no seu cômodo (ou será incômodo) mantêm uma televisão ligada.
A vizinha escuta uma música, se é que assim se pode definir seus ruídos sem letra.
Alguns barulhos na cozinha, e não são os insetos; ainda.
A porta, aberta e também fechada, por momentos vai pra lá e pra cá;
A caneta em mão, produz uma leve sonoridade, e o teclado ao digitar
ainda que não se compare à ópera feita pela máquina de datilografia, tem seu musical.

Tudo som. Tudo contrariando
o desejo de ficar em silêncio e abraçar o inerte.
Quando em quietude, a falta de atitude faz pular os olhos
esbugalhados, já na profunda madrugada,
banhado na amargura dos próprios pensamentos.

Colapso, as poesias entram em colapso.
Em verdade, escrever é prova disso.
O relógio não dorme.

Porém

não pense que me desagrada esses ruídos, sons, barulhos,
são melhores que o silêncio, pois o silêncio quando é meu
até compreendo. Quando vem dos outros, ai é coisa
de se pensar.

2 comentários:

  1. O co-lapso sugere o tal "plágio" que disse, uma espécie de co-autoria?
    eu também sinto um pouco de medo, no mínimo de apreensão, quando as pessoas ficam quietas, é assustador.

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    Respostas
    1. Por exato. Porém, pretendo continuar esse poema.

      Causa certa apreensão, principalmente quando vem de alguém que somente fala, fala e fala..

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