6 de julho de 2016

Entre aspas de Paulo Leminski


Repara, "repara bem, no que não digo"
dizia Leminski, do silêncio, castigo
dos devoradores de verbo e rimas.

Ando cá, desengonçado, dizendo pouco,
escrevendo pouco, com o cérebro, oco,
provando que nem toda dia se almoça poesia.

Daquele jeito "não fosse isso
e era menos, não fosse tanto
e era quase", que P.L. versava,
dizendo "haja hoje para tanto ontem",
eu não quero mais saber,
afinal, "o torto tem direito",
e até essa minha vida abstrata
de imaginação insensata,
merece (será...) respeito.

E há quem diga
que meu "vazio agudo (ando meio, cheio de tudo)"
é prosa de chinês de feira.
Quando se está no mundo
vivo sem saber porquê
ainda que cético primata
só se pensa em loucura e besteira.

E nesse jeito que a vida está,
"viu-me e passou como um filme"
não chegará a ser curta-metragem
afinal, "essa vida é uma viagem
pena eu estar só de passagem".

E entre tantas poesias
cheias e vazias
mas nunca meias ou alheias,
a noite chega
clamando
pelo próprio fim.

Já eu, eu quero mais
é querer menos.
Mas não quero jamais
quereres pequenos.

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